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2010-05-11

Antes da ressaca: Futebol, Fátima, Fado…


Ontem (domingo), por todo o país, pelo final do dia, milhares de cidadãos foram para a rua festejar ruidosamente um acontecimento futebolístico. É o que a televisão me mostra, hoje, desde manhã, repetida e nauseadamente.

Amanhã (terça-feira) e depois, serão centenas de milhares os cidadãos que também irão para a rua acompanhar Bento XVI na peregrinação a Fátima. Jornada que as televisões transmitirão em directo.

No final da semana, outros tantos milhares de cidadãos sentar-se-ão diante do televisor para seguirem pela televisão pública (RTP1) a sessão final do concurso para a selecção dos cantadores que participarão do espectáculo musical "Fado, História de um povo".

Futebol, Fátima, Fado.

Palavra, a propaganda (alienatória, como então diziamos) do Estado Novo não faria melhor!...

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Ilustração: Quadro de José Malhoa, recolhido em Wikipedia

2010-04-28

Breathing Earth. Alguns indicadores de desenvolvimento


Breathing Earth é um simulador, em tempo real, das emissões de CO2 - globalmente, por país e per capita – e do balanço demográfico, de acordo com os taxas de natalidade e mortalidade de cada país. Disponibiliza-nos informação permanente para avaliarmos – conscientes de que Breathing Earthis just that: a simulation” – o desenvolvimento do mundo diverso em que vivemos.

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Ilustração: Imagem recolhida em Portal EcoD .

2010-03-30

Valença sem valência


O interior de Portugal desertifica-se. As populações emigram para as cidades, sobretudo para as cidades da costa atlântica. As causas são diversas, as consequências também.

São mínimos ou inexistentes os investimentos em infra-estruturas, não se dinamizam as actividades industrial e comercial, encerram-se serviços públicos. As crianças e os jovens frequentam escolas longe de casa, os pais procuram emprego nos grandes centros urbanos ou no estrangeiro. Ficam os velhos, os idosos - muitos ou quase todos beneficiários de reformas de baixo valor, sem capacidade financeira para assegurarem o funcionamento de pequenos estabelecimentos: uma mercearia, um café… E desenvolvem-se outros modelos de comércio e de prestação de serviços: venda itinerante de produtos alimentares (carne, mercearias e pão, peixe…); assistência social (distribuição de refeições ao domicílio, higiene pessoal e doméstica…); de cuidados de saúde (ainda escassos e apenas em algumas regiões do país)… Que atenuarão a solidão das pessoas mas não evitam o abandono nem a degradação dos lugares e das aldeias.

Não sei porquê, ou talvez saiba, na sequência das notícias sobre o encerramento do SAP, Serviço de Atendimento Permanente em Valença, lembrei-me que há pouco mais de um mês, pela noite, apercebi-me de uma viatura do INEM em manobras diante de minha casa (eu moro num desses pequenos lugares). Acendi as lâmpadas do exterior e abri a porta. Procuravam uma senhora idosa, septuagenária. Por causa de “um problema de coração” – disse-me o motorista…

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Ilustração: Fotografia recolhida em Renascença

2010-03-29

Os enfermeiros, a greve e o JSA


Compreendemos as reivindicações dos enfermeiros, nossos colegas nos Centros de Saúde. Porque são justas, nós, no JSA, expressamos publicamente a nossa solidariedade pela greve que iniciaram hoje às 14.00 horas e que se prolongará até às 08.00 horas de quinta-feira. E acreditamos no êxito das negociações com o Ministério da Saúde.

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Ilustração: Imagem recolhida em SEP, Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

2010-03-28

O futebol, o adepto e a “Hora da Terra”


Ontem, à hora certa, apagou a luz e acendeu uma vela para iluminar a casa. Depois, sentou-se num sofá e ligou o transistor (carregado com pilhas novas) para ouvir o relato do jogo de futebol que se disputava no Estádio da Luz…

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Ilustração: Fotografia recolhida em A Bola

2010-03-19

Um Nobel para a Internet


Por possibilitar a comunicação livre e responsável entre todos nós, cidadãos do mundo, com culturas diferentes mas animados pela mesma esperança e os mesmos sonhos, acreditamos que a Internet é decididamente uma ferramenta para a paz. Por essa razão, apoiamos a candidatura ao Nobel da Paz.

Em 2010, para o futuro.

2010-02-26

Urbanização e Saúde


Este ano, o Dia Mundial da Saúde será dedicado à cidade, um (bom) pretexto para se reflectir sobre a urbanização e a saúde. Um tema, como informa a OMS, que responde “à vontade de reconhecer os efeitos que tem a urbanização tanto na nossa saúde colectiva, à escala mundial, como na saúde de cada um de nós”.

Mil cidades: abrir os espaços públicos à saúde, seja para realizar actividades nos parques, reuniões de cidadãos, campanhas de limpeza, ou encerrar parte das ruas ao trânsito de veículos motorizados”.

Mil vidas: reunir mil relatos de promotores da saúde urbana que, pelas suas iniciativas, tiveram um impacto considerável na saúde das suas cidades”.

7 de Abril, Dia Mundial da Saúde. Um pretexto para se reflectir mas também, sobretudo, para se tomarem decisões que efectivamente contribuam para a humanização da cidade.

2010-01-19

Da cor do limão


Susana Nunes é uma mulher jovem, de Paris (França), que, não sendo “uma ecologista radical”, quer que “as próximas gerações sejam saudáveis”, “que possam desfrutar da natureza” e que “tenham ar puro para respirar e água potável para beber”. “Por isso” faz “um esforço a cada dia. Reduzir, reciclar, reutilizar e... informar”.

Para informar, a Susana Nunes tem um blogue: “Da cor do limão – Pelo futuro do planeta”. Um dos “Blogues para um mundo melhor”.

2009-12-29

Depois de Copenhaga


Como escreví há poucos dias, numa breve nota, este ano o tempo solarengo transpôs o Outono e arrastou-se até quase ao Inverno. Que começou menos de uma semana depois do encerramento da Conferência de Copenhaga, com muito frio, chuvas torrenciais, tempestades de neve e ventos ciclónicos que devastaram o país e a vida de milhares de cidadãos, em Portugal e na maior parte dos países europeus.

Se na capital do Reino da Dinamarca os representantes dos diferentes países não se entenderam sobre o estabelecimento de um compromisso comum em relação à prevenção das alterações climáticas, que, um pouco por todo o planeta, pôem em risco a sobrevivência da espécie humana, a natureza manifestou-se expressivamente contra as agressões. Os jornais e as televisões têm sido férteis na divulgação de notícias (ilustradas) com imagens da tragédia e dos dramas que castigam as populações – sobretudo as mais vulneráveis, pobres e sem (ou com escassos) recursos para se protegerem.

Entretanto, enquanto no meu sítio, depois de alguns dias de temperaturas muito baixas, me parece que estou num país tropical (ou numa estufa), questiono-me sobre para que servirá lá para o final do próximo ano (2010) a Cimeira do México

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Ilustração: Imagem recolhida em PressEurop

2009-12-16

CO2 penhagen: a Cimeira do Clima, em directo


No norte da Europa, na cidade da sereia, sob a égide da ONU decorre a Cimeira do Clima. Até ao próximo dia 18 (09/12/18), data em que ficaremos saber se efectivamente haverá um compromisso universal para se proteger o futuro da humanidade.

Para acompanharem o desenvolvimento dos trabalhos, em directo, e até para poderem intervir activamente, sugerimos aos visitantes acidentais e aos leitores do JSA a consulta dos sítios Climate Voice e COP15.

Faltam poucos dias para o final…

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Ilustração: Imagem recolhida em
COP15 .

2009-10-29

Copenhaga, a capital da esperança


Como se lembra no artigoContagem decrescente para a Conferência de Copenhaga: faltam 40 dias” ontem publicado no site do Parlamento Europeu, a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas “tem como principal objectivo a celebração de um acordo internacional global que permita reduzir as emissões nos países desenvolvidos, limitar o aumento das emissões nos países em desenvolvimento e financiar as acções destinadas a mitigar os efeitos das alterações climáticas e os esforços de adaptação desenvolvidos pelos países pobres”.

Um objectivo cuja concretização nos deve mobilizar a todos. Para que de facto a capital dinamarquesa seja uma cidade de esperança – Hopenhagen – na concretização de uma política comum para a protecção do ambiente.

Nesta perpectiva, propomos aos leitores do JSA que assinem a Petição do Clima da ONU, Organização das Nações Unidas, se convertam em cidadãos de Hopenhagen e expressem ao mundo a sua esperança: - “When people lead, Leaders follow” (“Quando os povos lideram, os líderes seguem-nos”, em tradução livre).

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Ilustração: Imagem recolhida em Hopenhagen.org

2009-06-21

Um Acidente de Trabalho – um caso de polícia


Na mesma edição (09/06/11) em que Antonio Astorga anuncia (pág. 65) a publicação (pela editora Mondadori) da novela “Jerusalém”, de Gonçalo M. Tavares, o diário ABC noticia na primeira página, sob a fotografia que reproduzimos, o caso do imigrante boliviano que foi “Explotado hasta perder el brazo”.

O caso pode contar-se em poucas palavras. Francisco Rilles Melgar, de 33 anos, trabalhador numa panificadora na zona industrial de Real de Gandia, na região de Valência, sofreu um acidente de trabalho grave: perdeu parte do braço esquerdo ao operar com uma amassadeira. O proprietário (ou um dos proprietários) da empresa usou um dos seus carros para transportar o trabalhador para o Hospital (de San Francisco, de Borja de Gandia) mas não o acompanhou ao Serviço de Urgências: abandonou-o a cerca de 50 metros de distância… e atirou a parte do braço amputada para um contentor do lixo.

O trabalhador, cidadão boliviano, imigrante, não tinha contrato de trabalho, não estava inscrito na Segurança Social e trabalhava 12 (doze) horas por dia para receber € 700 por mês…

O caso de Francisco Rilles Melgar é mais do que um acidente de trabalho grave: é um caso de polícia. Mas não se deve esquecer, mesmo aquí em Portugal, porque como disse (noutro contexto) o autor de “Jerusalém" “olvidar es un crimen”.

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Ilustração: fotografia da Agência EFE recolhida em ABC.es

2009-06-08

Eleições: o princípio do fim da arrogância!


2009 é um ano de eleições. As primeiras – as Europeias, para a eleição dos deputados para o Parlamento Europeu – realizaram-se ontem. Seguir-se-ão as Legislativas e as Autárquicas.

Ontem, a participação dos cidadãos eleitores foi baixa: a abstenção foi superior a 60% (63%). Um valor susceptível de múltiplas interpretações – desde a indiferença pelo acto eleitoral à penalização dos actores políticos.

No final do dia, os resultados que se registaram mereceram-me um primeiro comentário: "espero que representem o fim da arrogância!"


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Ilustração: Imagem recolhida em Centro de Informação Europeia Jacques Delors

2009-06-05

Corrupção de TSA. Um caso, de tentativa…


Na SIC, hoje (09/06/04), o programa “Aquí & Agora” foi dedicado a um tema antigo que persiste na actualidade portuguesa: a Corrupção. Enquanto ouvia os convidados, que participavam activamente na discussão (coordenada por Rodrigues Guedes de Carvalho), lembrei-me de tratar esta matéria mas no âmbito restrito dos TSA, Técnicos de Saúde Ambiental.

Eu não sei se há ou se houve casos de corrupção envolvendo TSA. Mas garanto – repito: garanto – que houve tentativas de suborno de TSA. Entre outros, para ilustrar a minha afirmação, relatarei um caso que conheço e poderá ser testemunhado por cerca de uma dezena de pessoas. O caso paradigmático de um TSA que não se deixou subornar. Há já alguns anos.

Situado à beira de uma estrada que continua com muito trânsito, o restaurante, instalado num edifício abarracado, estaria sempre cheio. Sobretudo pela hora de almoço, quando os veículos estacionados no espaço envolvente se contariam às dezenas. Muitas pessoas questionavam o TSA – “Porque não vai lá?” –, ele respondia quase sempre: - “Se eu for lá, será para o fechar!" – e, invariavelmente, acrescentava: - “Quem o frequenta, consente aquelas condições!”.

Um dia, o proprietário do estabelecimento pediu ao TSA uma análise da água. Na data marcada, o TSA foi lá e recolheu uma amostra no poço de abastecimento. Antes ou depois de recolher a amostra, o TSA disse ao proprietário do estabelecimento: - "Eu não preciso sequer de esperar pelo resultado das análises: a água está imprópria para consumo!"-. Depois, apontando para a superfície da água, turva, com objectos vários e bicharada morta a flutuar, o TSA não hesitou: - "Enquanto não tiver outro sistema de abastecimento de água, o restaurante terá de ficar encerrado". – E acrescentou: - “Nós” – aludindo ao SSP, Serviço de Saúde Pública – “vamos pedir a colaboração da Inspecção Económica (DGIE, Direcção-Geral da Inspecção Económica, que precedeu a ASAE)…”.

Poucos dias depois, com inspectores daquela entidade, o TSA voltou ao restaurante e o estabelecimento foi encerrado. Em condições minimamente aceitáveis para as diferentes partes: o restaurante suspenderia o funcionamento cerca de uma semana depois, quando, conforme estava estabelecido com os trabalhadores (talvez uma dezena) encerraria para férias. O acordo foi cumprido.

Após o período de férias, o gabinete do TSA foi ocupado pelos trabalhadores do restaurante. Motivo: como o estabelecimento não podia reabrir, “o patrão” – disseram – “mandou-nos cá pedir ao senhor que nos pague o ordenado…”. Foi uma manhã tumultuosa. Mas as pessoas acabaram por entender a intervenção das entidades envolvidas e aceitaram cordatamente os esclarecimentos do TSA sobre os riscos para a saúde associados ao consumo daquela água.

Alguns meses depois o proprietário do estabelecimento reabriu outro restaurante, perto do mesmo local, cumprindo os procedimentos administrativos previstos na legislação em vigor e os requisitos higio-sanitários regulamentares. E foi ao Centro de Saúde agradecer ao TSA - “Se não me tivesse encerrado o barracão, eu não teria o restaurante que tenho hoje” –, propor-lhe uma visita prévia antes da vistoria formal para a eventual concessão do Alvará e convidá-lo para um jantar inaugurativo. O TSA acedeu, mas, em relação ao jantar, contrapôs: - “Irei ao jantar, mas só se aceitar que eu vá com as minhas colegas…”, pormenor que o proprietário não contestou: - “Diga-me apenas quantas pessoas são, para eu preparar as mesas”.

Durante a manhã do dia marcado para o jantar, o TSA foi visitar o estabelecimento. Percorreu as instalações, terá reconhecido alguns dos antigos trabalhadores, transmitiu algumas informações susceptíveis de beneficiar o funcionamento do estabelecimento e no final não se recusou a receber uma pequena oferta de agradecimento – uma caixa que lhe pareceu ser de uma garrafa de wisky. Que desembrulhou, sentado à secretária, no seu gabinete (o espaço de Saúde Ambiental), no Centro de Saúde. Todavia, ao abir a caixa, deparou-se com uma garrafa de Vinho do Porto (velho...) e um envelope com (contou as notas) 50 000$00 (cinquenta mil escudos, cinquenta contos), cerca de metade do vencimento que então auferia. De imediato, foi à Secretaria e disse às colegas: - “Afinal, logo já não iremos jantar ao…” – e mostrou o envelope, com o maço de notas. – “Só iremos, se…”. E contou o seu plano.

De regresso ao gabinete, telefonou para o proprietário do restaurante e disse-lhe: -“Agradeço-lhe o Vinho do Porto, que ficará aquí no Centro de Saúde para nós irmos beberricando… Quanto ao jantar, nós só iremos se aceitar uma condição: quando entrarmos, e eu irei à frente, o senhor virá cumprimentar-nos. Quando me cumprimentar, o senhor receberá discretamente a devolução do envelope. Caso contrário… ”.

Pelo final do dia, o TSA devolveu o envelope, o proprietário esmerou-se no serviço e o jantar (com cerca de uma dezena de colegas do TSA, incluindo a MSP) decorreu animadamente. Um jantar histórico, na memória do TSA. Que não cedeu à tentativa de suborno e que, com a sua atitude, terá de algum modo contribuido para a promoção da cidadania.

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Ilustração: Imagem recolhida em Clube do Livro

2009-06-02

Mitigar a fome, preservar a saúde


Durante o fim-de-semana, milhares de voluntários colaboraram activamente na campanha promovida pelo Banco Alimentar Contra a Fome. Sobretudo nos hipermercados, distribuiram sacos às pessoas que entravam para os recolherem à saída eventualmente com as ofertas de cada uma. E as pessoas foram generosas. Neste período difícil que atravessamos, com o desemprego a crescer diariamente, com cada vez mais famílias a subsistirem com o Rendimento Mínimo (e outras completamente dependentes de terceiros), os voluntários recolheram 1935 toneladas de alimentos que serão distribuidos por milhares de famílias carenciadas. Através das instituições de solidariedade social de muitas localidades.

Os produtos alimentares oferecidos são de natureza diversa, alguns perecíveis. Eu sei, pessoalmente – informação também disponível no respectivo sítio -, que os colaboradores da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome cumprem orientações rigorosas no manuseamento, acondicionamento, transporte e armazenamento desses produtos alimentares. Porém, talvez o mesmo não aconteça em algumas das instituições de solidariedade social.

Reconheço que esta matéria é delicada. Todavia, eu entendo que deve ser objecto de atenção pelas entidades fiscalizadoras e/ou com responsabilidades na vigilância sanitária no âmbito da segurança alimentar, designadamente pelos Serviços de Saude Pública de cada Centro de Saúde. Para se prevenirem riscos susceptíveis de afectar a saúde das pessoas beneficiadas. Pelas mais diferentes razões, desde a falta de formação à negligência das pessoas envolvidas.

Ainda recentemente, no decurso de uma vistoria (por outros motivos) às instalações de uma dessas entidades, em conjunto com representantes de outras entidades, eu fui encontrar numa garagem transformada improvisadamente em armazém um frigorífico do tipo doméstico desactivado e algumas poucas caixas de cartão com produtos alimentares em cima de uma mesa onde se acumulavam outros materiais. Movido pela curiosidade (como referi, a vistoria tinha outro objectivo), espreitei para as caixas e chamei a atenção do responsável dessa instituição para o facto de haver embalagens de margarina (que carecem de conservação no frio) sem protecção e de outros produtos alimentares (bolachas e massas, entre outros) roídas por ratos. Observei que aqueles produtos não estavam em condições para serem consumidos e que deveriam ser removidos para o lixo. Aquele responsável respondeu-me (literalmente) que não tinha dinheiro para criar outras condições de armazenamento e que a família destinatária apesar de avisada ainda não fora levantar as caixas... Família que (como fiquei a saber) vivia a cerca de 20 (vinte) quilómetros de distância…

Repito: - “reconheço que esta matéria é delicada. Todavia, eu entendo que deve ser objecto de atenção pelas entidades fiscalizadoras e/ou com responsabilidades na vigilância sanitária no âmbito da segurança alimentar”. Para se respeitar a generosidade de quem partilha, se responsabilizar quem distribui e se proteger a dignidade de quem recebe.

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Ilustração: Imagem recolhida em Banco Alimentar

2009-03-13

Por uma sociedade mais justa


Hoje, em Lisboa, juntaram-se cerca de 200 000 cidadãos portugueses. Cidadãos que se manifestaram contra a política económica e social do governo presidido por José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista. Na história portuguesa, foi a maior manifestação de sempre.

Nós aderimos.

Porque acreditamos numa sociedade mais justa. Porque tambémQueremos uma sociedade onde se privilegie a dimensão humana como factor do progresso, que reparta a riqueza de forma mais justa, que respeite e dignifique quem trabalha, que recentre o papel do Estado e promova serviços públicos de qualidade a favor dos portugueses e do desenvolvimento do País”.

2009-03-12

Pesquisa solidária


Pelo blogue Responsabilidade Social das Empresas – O Contributo das Relações Públicas, da Cláudia Vau, tomámos conhecimento do Projecto Gsolidário, um sítio de pesquisa criado para “ajudar instituições de solidariedade social oferecendo o dinheiro que se angaria” através do clicar nos anúncios publicitários publicados pelo Google nas margens do Gsolidário.

Gsolidário, um projecto criativo no domínio da solidariedade social.

2009-02-22

Uma casa de banho com duas retretes


Parecerá um daqueles episódios carnavalescos que, como se diz popularmente, “ninguém leva a mal”. Parecerá, porque, de facto, foi (e ainda é) um caso que eu entendo como ilustrativo da leviandade – para não usar outra expressão menos benevolente – com que se tomam decisões e se cumprem ordens no “País das Maravilhas” – país que é, desde há algum tempo, nas conversas de rua e até na televisão, apontado como o “país em que vivemos”.

Num dos dias da semana que hoje (09/02/21) se finda, em conjunto com representantes de outras entidades, eu participei numa vistoria a um estabelecimento público cujo funcionamento carece de licenciamento anual. Por razões diversas, a Comissão de Vistorias (que integro desde há mais de duas décadas) tem sido tolerante e permitido que as obras de beneficiação das instalações se prolonguem ao longo dos anos. Desta vez, porém, eu confrontei-me com uma situação nova, surpreendente, e, de modo contido, observei:


- Como nós não estamos a vistoriar uma creche, há aquí qualquer coisa de errado!...

Os outros elementos da comissão aproximaram-se e eu afastei-me da porta para que confirmassem: no mesmo compartimento, identificado como IS para pessoas com deficiência motora, duas retretes, separadas por uma estreita parede…

O representante da entidade proprietária do estabelecimento discordou do meu reparo e quando eu disse que “pelo menos” deveria eliminar uma das retretes ainda intentou contestar-me.

… Em 2009, no “país em que vivemos!”.

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Ilustração: Fotografia recolhida em Museo Nacional de Sanidad.

2009-02-17

… Todos ao Choupal!


Em Coimbra, o traçado para o IC2 (Itinerário Complementar) “prevê a construção de um viaduto sobre o Mondego e a Mata do Choupal”, escreve André Jegundo na notícia do Público (edição de 09/02/16). Mas o projecto, aprovado pela Secretaria de Estado do Ambiente, é contestado pela população coimbrã. E não só.

Ontem (09/02/15), mais de mil pessoas formaram um anel em volta do Choupal, classificado como Mata Nacional, para protestarem contra a decisão governamental. Na manifestação, Alda Macedo (deputada na Assembleia da República pelo BE, Bloco de Esquerda), disse que “É o interesse público e a qualidade de vida das cidades que está em causa”.

Eu diria mais: é a memória de uma cidade, de gerações de estudantes, que se perderá. E porque é preciso preservar a memória – sem memória a cidade não existe – expresso o meu apoio ao Movimento Plataforma do Choupal, e, embora com a voz envelhe… enternecida pelos anos boémios, canto e cantarei com o Zeca AfonsoDo Choupal até à Lapa/ Foi Coimbra meus amores”…

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Ilustração: Fotografia recolhida em Plataforma do Choupal

2009-02-14

Herdade dos Gagos: um cartaz provocatório



Provavelmente já estará alí há bastante tempo. Alí, a cerca de um quilómetro de distância do Centro de Formação Agrícola da Herdade dos Gagos, entre o cemitério de Marianos/Murta e uma pista para a realização de provas de moto-cross. No entanto, só hoje reparámos no cartaz que anuncia o financiamento de 255 416,73 euros para “Beneficiação da área florestal da Herdade dos Gagos”.

Como sabemos que a Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim interveio como agente facilitador para a plantação do Estabelecimento Prisional de Lisboa e Vale do Tejo naquela propriedade, plantação que (a concretizar-se) obrigará ao abate de milhares de sobreiros, admitamos que o anúncio do cartaz é no mínimo provocatório…

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira (09/02/13)