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2009-12-29

Salvaterra de Magos - um roteiro turístico


Já me disseram que se trata de um sítio de construção muito primária, com informações do conhecimento comum e ilustrado com fotografias pouco mais que irrelevantes. Disseram-me até, com algum desdém, que não é senão um modesto trabalho escolar.

Eu tenho uma opinião substancialmente diferente.

De facto, trata-se de um trabalho escolar – um “Projecto Tecnológico” desenvolvido na Escola Secundária de Salvaterra de Magos pelos alunos da Turma F, do 12º ano, do Curso Tecnológico de Multimédia, ao longo do ano lectivo de 2007/2008 sob a coordenação de Teresa Fazenda. Mas é, sem dúvida, o melhor sítio para se começar a conhecer a história e a geografia, a gastronomia e o artesanato do concelho de Salvaterra de Magos.

Aos leitores do JSA, particularmente aos que me têm questionado (por correio electrónico) sobre o concelho em que exerci a actividade profissional desde o início da década de 80 (1982) e a que afectivamente pertenço, eu sugiro uma visita ao (quase ignorado) Roteiro Turístico do Concelho de Salvaterra de Magos.

2009-11-15

Dr. Marçal, Fernão Marçal Correia da Silva


Desde há alguns meses (desde Maio) que raramente me desloco a Salvaterra de Magos. Por conseguinte, (quase todas) as notícias que (ob)tenho do concelho onde vivi ao longo de quase três décadas são-me transmitidas por colegas e amigos, pelo telefone ou por correio electrónico. Outras eu leio nos jornais da região, nomeadamente no semanário “O Mirante”, que se publica em Santarém.

Algumas notícias magoam-me.

Pela edição (de 09/11/12) daquele jornal para a Lezíria do Tejo, eu tomei conhecimento do falecimento do Dr. Marçal, Fernão Marçal Correia da Silva – um amigo, colega de trabalho no Centro de Saúde. Aposentara-se há alguns anos mas continuou a exercer a função de Médico de Família, com o reconhecimento da população.

Intermitentemente, substituiu a Autoridade de Saúde no exercício do cargo. No tempo em que aos TSA não era permitido legalmente o exercício daquelas funções (por delegação e restritamente na área da Saúde Ambiental) devíamos reunir com frequência. Todavia, para simplificarmos os procedimentos, tacitamente adoptámos um método pouco ortodoxo mas eficiente: eu, ou uma colega dos serviços administrativos, deixava no seu Gabinete a documentação (Pareceres Sanitários, Ofícios, Relatórios…) para despacho e quando nos encontrávamos, no Centro de Saúde ou acidentalmente num café, conversávamos sobre um ou outro caso susceptível de ser (nunca foi) objecto de alguma controvérsia.

O Dr. Marçal, depois de cerca de “53 anos” de exercício da profissão, faleceu “aos 80 anos, devido ao desenvolvimento de um tumor cerebral”. Ao funeral, que se realizou no Domingo (09/11/08), acorreu “cerca de um milhar de pessoas” - para lhe prestar uma derradeira homenagem.

Não voltaremos a saudar-nos, quando nos cruzávamos de carro, nem a tomar café em dois ou três balcões nos quais nos encontrávamos por acaso. Mas ficam na memória os muitos anos que partilhámos. Com amizade.

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Ilustração: Fotografia recolhida (por scanner) em “O Mirante” (edição de 09/11/12).

2009-11-07

José Manuel da Costa Teso: um meteorologista, um amigo


Hoje, pela manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço e acompanhava o noticiário da RTP-1, fui surpreendido pela presença de José Manuel da Costa Teso, meteorologista, a comentar os acontecimentos da semana. Depois soube porquê: após tantos anos a apresentar o Boletim Meteorológico, aposentara-se – ou, como o próprio disse, jubilara-se.

Conhecemo-nos há muitos anos, partilhamos a amizade. No tempo em que no Centro de Saúde (de Salvaterra de Magos) se criou o NESC, Núcleo de Educação para a Saúde Concelhio, aberto à participação activa da população, o José Manuel e a (mulher) Maria de Lurdes foram actores importantes na dinamização das actividades. Colaborou, também, na redacção do Boletim “Haja Saúde!” (ainda não dispunhamos da Internet) que criámos para estreitarmos a nossa relação com a população e contribuirmos para uma atitude mais responsável na preservação e na promoção do Ambiente e da Saúde.

Ao longo de tantos anos, todos os encontros foram um bom pretexto para longas conversas sobre os mais variados temas, raramente sobre meteorologia e muito menos sobre ambiente. Foram momentos de evasão, muitas vezes (à boa maneira portuguesa) em volta de uma mesa, bem servida – designadamente num restaurante onde se comia um bom “cozido”. Da última vez, com a Maria de Lurdes, falámos sobre a aposentação – que eu já requerera e que ainda me não foi concedida…

Decerto por culpa minha, porque desde Maio que raramente vou a Salvaterra de Magos, há meses que não nos vemos. Mas talvez agora seja mais fácil encontrarmo-nos. Para eventualmente enquanto saborearmos as carnes, os enchidos e os legumes repormos as conversas em espiral. Até porque eu “descobri” um restaurante onde se come um dos melhores “cozidos” do país… Um restaurante BB – para os leigos, Bom e Barato.

Zé Manel, permita-me uma confidência: nada melhor do que no final de uma longa carreira profissional sabermos dizer: - Cumpri!

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Ilustração: Imagem recolhida em Notícias de Castelo de Vide

2009-08-17

O tempo passa…


Ontem (09/08/16) passou-se mais um ano desde que comecei a exercer a profissão de TSA, Técnico de Saúde Ambiental. No Centro de Saúde de Salvaterra de Magos, em 82/08/16. Para registar a data, não disponho de uma fotografia do velho edifício onde comecei a trabalhar nem das colegas que então conheci.

Lembrei-me, porém, desta fotografia (emprestada) que documenta um instante de pausa na Secretaria Central. Com algumas das colegas. No Centro de Saúde (já noutras instalações, no antigo Hospital da Misericórdia) ainda não havia computadores, sobre as secretárias acumulavam-se montanhas de papéis e viviam-se momentos de boa disposição… Hoje, noutro edifício, construido de raíz, apesar da informatização dos serviços, o papel ainda é abundante e nós… bem, nós estamos mais velhos.
A (de écharpe) já se aposentou; eu já requeri a aposentação e espero. Seguir-se-ão a Idalina (por trás da máquina de escrever), a Delfina, a Dália (de cachecol azul) e decerto que a Dina

O tempo passa. Mas ainda nos lembramos da Feira da Saúde!

2009-06-16

Salvaterra de Magos: um concelho sem Zonas Balneares


As Zonas Balneares são (ou devem ser) objecto de Vigilância Sanitária. Para definição do desenvolvimento dessa acção – no terreno, concretizada por TSA -, a DGS, Direcção-Geral de Saúde, divulgou recentemente dois documentos de leitura obrigatória: a Circular Normativa Nº 06/DA, de 09/06/04, "Execução do Programa de Vigilância Sanitária das Zonas Balneares Costeiras e de Transição" e a Circular Normativa Nº 07/DA, de 09/06/04, "Execução do Programa de Vigilância Sanitária das Zonas Balneares Interiores".

Aos documentos, disponíveis no site daquela entidade, acede-se pelo ítem “Circulares”. Exercício a que eu não procederei, porque, no concelho onde (ainda) exerço a profissão, já não há Zonas Balneares.

Há cerca de três dezenas de anos, quando comecei a trabalhar no Centro de Saúde, no concelho de Salvaterra de Magos havia duas praias – uma fluvial, na margem esquerda do Rio Tejo, e outra, estuarina, na Barragem de Magos. No primeiro caso, o vandalismo destruiu a Praia Doce. No outro, no Plano de Ordenamento da Albufeira, a opção (técnica ou política) que prevaleceu estabelece a interdição de banho e natação.

Enquanto TSA, estou dispensado da leitura dos Programas de Vigilância Sanitária da Zonas Balneares para o ano em curso. Enquanto cidadão, lamento as perdas que se registaram e empobrecem o concelho de Salvaterra de Magos.

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Ilustração: Fotografia recolhida em Young Reporters for the Environment

2009-04-26

Isabel Cocharro


Ontem, pelo final do dia, durante o jantar, folheei o semanário “O Mirante” (edição de 09/04/23). E, nas páginas dedicadas à Necrologia, não fiquei indiferente a um anúncio - o do falecimento da Sra. Isabel, ex-Auxiliar do Centro de Saúde de Salvaterra de Magos.

Durante anos, com funções diferentes, partilhámos o mesmo espaço. Visivelmente, era uma mulher doente. Aposentou-se há poucos anos, soube-o porque deixara de a ver diariamente. Encontrávamo-nos acidentalmente nas ruas da vila e, sobretudo, no Centro de Saúde, aonde se deslocava para consultar a médica de família. Aposentou-se e a sua saída não foi objecto da menor referência interna para conhecimento dos outros trabalhadores. Uma atitude de indiferença pelas pessoas que registo desde há anos, desde quando acabaram as “festas” de despedida dos colegas que regularmente atingem a idade de reforma.

Uma atitude de indiferença social que marca o período que atravessamos. Uma atitude que a notícia do jornal demonstra inequivocamente. Foi há pouco, pelo final do dia, durante o jantar, ao folhear “O Mirante”, que eu soube que no dia 09/03/31, aos 73 anos de idade (1936/02/16), faleceu a Sra. Isabel, Maria Isabel Cocharro Santana Gomes

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Ilustração: Fotografia recolhida (por scanner) em O Mirante.

2009-03-02

Vacarias e licenciamentos


No âmbito do processo de licenciamento de uma vacaria, eu deverei nos próximos dias emitir o Parecer Sanitário que (ao SSP, Serviço de Saúde Pública) nos foi solicitado pela entidade licenciadora. Depois de analisar a documentação que nos foi enviada, consultei o Veterinário Municipal e a Câmara Municipal, e, seguindo o traçado da Planta de Implantação, confirmei a localização do estabelecimento. Mais tarde, li atentamente o diploma que “estabelece o regime jurídico do licenciamento das explorações de bovinos”, o Decreto-Lei Nº. 202/2005, de 24 de Novembro, que, em conformidade com o disposto no Artigo 25º entrou “em vigor 30 dias após a sua publicação”.

A exploração bovina em causa carece de Licença do tipo C cuja emissão, de acordo com o Número 3. do Artigo 6º - Competência, “é precedida de parecer vinculativo da câmara municipal da respectiva área do assento da lavoura e das autoridades ambiental, de saúde e de ordenamento do território”. Para a obtenção da licença, como dispõe o Anexo II – Tramitação administrativa, o requerimento, “dirigido ao director-geral de Veterinária”, deve ser acompanhado de uns quantos documentos, entre os quais a “Licença de utilização das instalações”.

Nesta data, eu não sei se a Câmara Municipal concedeu aquela licença. Mas sei que o estabelecimento de vacaria se situa entre duas ruas no limite urbano de uma vila do concelho. Um factor que seria facilitador da emissão do Parecer Sanitário porquanto, na perspetiva da saúde pública, eu entendo que uma exploração bovina não é compatível com a malha urbana de qualquer aglomerado populacional.

Todavia, o Número 1. do Artigo 23º - Casos especiais de licenciamento estabelece: - “O licenciamento das explorações bovinas já existentes à data de entrada em vigor do presente decreto-lei não está dependente do cumprimento das normas relativas aos planos directores municipais, bem como da existência de licença de utilização das instalações”.

… Eu deverei nos próximos dias emitir o Parecer Sanitário. Mas, entretanto, apetece-me dizer, imitando o Fernando Pessa nas suas memoráveis intervenções televisivas: - “E esta, hein?”…

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Ilustração: Fotografia recolhida em Diário dos Açores.

2009-02-23

… Não vai estar para assinar o Auto.


Na semana passada, precisamente na sexta-feira (09/02/20), pelas 10.30 horas da manhã, em Marinhais, vistoriámos um estabelecimento hoteleiro. Eu, o Carlos Jorge e os outros elementos da Comissão de Vistorias. Já não via o Carlos Jorge há bastante tempo. Da última vez em que nos encontrámos decerto que falámos da minha aposentação porque me questionou com ironia: - “Então, ainda cá anda?”. Depois de percorrermos as instalações, conversámos por breves instantes sobre o que assinalariamos no Auto – que seria redigido mais tarde, porquanto eu teria de participar noutra vistoria, noutro local, com outras entidades – e despedimo-nos com um coloquial “Até logo!”.

Enquanto me deslocava para o outro local, revi o estabelecimento que vistoriáramos e reparei que havia um pormenor que contrariaria o Parecer Sanitário que meses antes eu emitira sobre o Projeto de Arquitetura.

Pelo telefone, expus a minha dúvida e ficou estabelecido que nos encontrariamos na quarta-feira (09/02/25), depois de amanhã (*), para decidirmos e elaborarmos o Auto de Vistoria.

Mas o Carlos Jorge não vai estar para assinar o Auto. Soube há pouco – as más notícias sabem-se depressa – que faleceu. Hoje, vítima de um AVC, Acidente Vascular Cerebral.

Após cerca de 26 anos de trabalho em parceria – ingressou na Câmara Municipal pouco tempo depois de eu começar a trabalhar em Salvaterra de Magos - e depois de dezenas de vistorias efetuadas em conjunto será a primeira vez que faltará.

Eu, nós, os colegas da Comissão notaremos a sua ausência.

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(*) Terça-feira (09/02/24) é Dia de Carnaval

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Ilustração: Fotografia recolhida (por scanner) no semanário “O Mirante” (edição de 09/03/05).

2008-12-08

Albufeira de Magos: interdita a banhos e a natação


Oportunamente (08/12/01), anunciámos a publicação no Diário de República da Resolução do Conselho de Ministros Nº 169/2008, de 21 de Novembro, que “Aprova o Plano de Ordenamento da Albufeira de Magos e a delimitação da Reserva Ecológica Nacional do concelho de Salvaterra de Magos”. Entretanto, lemos o diploma e analisámos o Regulamento do Plano de Ordenamento (publicado em anexo à Resolução).

De acordo com o que dispõe a Alínea a) , do Artigo 2º - Objectivos, o POAM, Plano de Ordenamento da Albufeira de Magos, tem, entre outros, o objectivo específico de “Salvaguardar a defesa e qualidade dos recursos naturais, em especial os hídricos, definindo regras de utilização do plano de água e da zona de protecção da albufeira (…)”.

No Artigo 10º, relativo a Utilizações Permitidas, definem-se as actividades e utilizações que serão autorizadas: pesca desportiva e navegação recreativa a remos, a pedal e à vela.

Na Albufeira de Magos, também classificada como Zona Balnear, o banho e a natação são actividades interditas desde há cerca de uma dezena de anos, devido a contaminação por cianobactérias. Todavia, por se admitir que se estabeleceriam condições que promovessem e assegurassem a reabilitação da qualidade da água, para satisfação de reivindicações das muitas dezenas de utentes do local, ao longo dos anos a Albufeira foi objecto de Vigilância Sanitária e de um programa específico de Monitorização de Cianobactérias.

Agora, apesar da adopção (Artigo 27º - Actividades proibidas) de medidas de prevenção do “risco de contaminação da água destinada ao abastecimento das populações e de eutrofização da albufeira(*), a cumprir-se o disposto no Artigo 11º - Actividades interditas, que estabelece na Alínea a) a interdição de “Banho e natação”, a Praia acaba. E também acabarão, decerto, aquelas acções de natureza sanitária.

No âmbito do POAM, prevê-se (Número 2., do Artigo 24º) a instalação de áreas de recreio e lazer. No entanto, a população fica sem poder usufruir da Praia. Opções...

Depois da Praia Doce, a Praia da Barragem

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(*) Para o abastecimento de água, mas na hipótese prevista no Artigo 35.º - Prioridade na utilização da água: - "Em situação de escassez e consequente conflito de usos, a utilização da água deve cumprir com o disposto no artigo 64.º da Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro, e atender aos objectivos específicos definidos no POAM, dando prioridade ao abastecimento público".

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira (2007, Junho)

2008-11-12

Suiniculturas


Havia muito dinheiro em circulação. Talvez porque os financiamentos fossem acessíveis e concedidos em condições muito favoráveis. E as pessoas investiam na criação de suínos. Que criavam nas mais diversas instalações, em terrenos agrícolas ou ao fundo do quintal. Os pedidos de licenciamento sucediam-se. E eu e o Veterinário Municipal (João Cabral (*)) percorríamos o concelho para visitarmos essas instalações, conversarmos com as pessoas e transmistirmos esclarecimentos, afinal para exercermos o papel de formadores de cidadãos e de agentes de desenvolvimento cultural.

Aparentemente, um dos requisitos para a obtenção de financiamento para a exploração de uma suinicultura consistia na apresentação do Alvará de Licenciamento Sanitário, emitido ao abrigo do disposto na Portaria 6065, de 30 de Março de 1929. Com o objectivo de disciplinarmos a actividade, no âmbito da sanidade animal e da saúde pública, depois de múltiplas reuniões com diferentes entidades, decidimos estabelecer um plano de acção, que envolveu a autarquia. Procedemos ao levantamento dos estabelecimentos existentes, recolhemos a legislação aplicável e elaborámos um conjunto de normas básicas relativas às instalações e ao funcionamento das suiniculturas que a Câmara Municipal divulgou através de um Edital.

Separámos a produção familiar, para consumo doméstico, da produção industrial. As instalações para a produção doméstica deviam observar as disposições constantes no RGEU, Regulamento Geral das Edificações Urbanas, em relação aos alojamentos para animais. Os outros deviam cumprir além de mais requisitos legais um princípio enunciado na Portaria de 1929: a distância de 200 metros em relação a outras edificações, em terreno seu. Isto é, nós entendemos que se o terreno não cumprisse este requisito – o que na prática significava que o terreno devia ter uma área superior a 16 hectares -, o estabelecimento não poderia ser licenciado.

Previsivelmente, aquelas normas foram muito contestadas. A Câmara Municipal, inclusivamente, recolheu o Edital. Mas o que podemos garantir é que no concelho (de Salvaterra de Magos) prevenimos a poluição ambiental e os riscos para a saúde pública associados à localização e ao funcionamento de estabelecimentos de suinicultura que noutros concelhos (ainda) são frequentemente objecto de notícia nos orgãos de comunicação social.

Então, em 1991, pessoalmente organizei um volume que registei e foi editado e distribuido pela Sub-Região de Saúde de Santarém: - “Estabelecimentos de Suinicultura – Legislação anotada no âmbito da Saúde Ambiental”.

Um documento que fica para a história da Saúde Ambiental, porquanto, na sequência da publicação do Decreto-Lei Nº. 214/2008, de 10 de Novembro, que “Estabelece o regime do exercício da actividade pecuária”, a legislação que recolhi, analisei e comentei foi revogada (pelo Artigo 80º).

Cumpri. Cumprimos.

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(*) Não o consultei previamente. Espero que me perdõe a citação do seu nome.

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Ilustração: Fotografia recolhida em Some girls are stranger than others...

2008-10-11

Alves Redol – Prémio Literário


Alves Redol andou por alí, pelo concelho de Salvaterra de Magos. E escreveu um livro – a que chamou “ensaio” - que é uma referência também no domínio da etnografia: - “Glória, uma Aldeia do Ribatejo”.

Escritor neo-realista, autor de romances que pretendeu que fossem entendidos sobretudo como documentos vividos de denúncia das condições sociais dos trabalhadores dos campos ribatejanos, Alves Redol, nascido em Vila Franca de Xira, é anualmente homenageado pela pela Câmara Municipal da sua terra natal com um Concurso Literário - nas modalidades de Conto e Romance - cuja edição de 2009 foi agora anunciada.

Porque (como escrevemos anteriormente) “Há mais vida para além da Saúde Ambiental”, divulgamos o Regulamento para que os leitores do JSA possam participar. E lembramos: os trabalhos poderão ser entregues até 30 de Março de 2009
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2008-10-02

Salvaterra de Magos: Programa de Saúde Escolar


A Saúde Escolar é o referencial do Sistema de Saúde para o processo de promoção e educação para a saúde na escola, promovendo o desenvolvimento de competências na comunidade educativa que lhe permita melhorar o seu nível de bem-estar físico, mental e social e contribuir para a sua qualidade de vida”, lemos no começo do Prefácio do Programa de Saúde Escolar 2008 – 2009, do Centro de Saúde de Salvaterra de Magos, que decidimos divulgar por entendermos tratar-se de um instrumento de trabalho útil sobretudo para os profissionais de Saúde Pública e da Educação.

O Programa integra as estratégias do Programa Nacional de Saúde Escolar, tem como alvo a população dos diferentes estabelecimentos escolares do concelho e estabelece como objectivos

- Promover a saúde e prevenir a doença na comunidade educativa;
- Promover um ambiente escolar seguro e saudável;
- Apoiar a inclusão de crianças com Necessidades de Saúde e Educativas Especiais;
- Reforçar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida saudáveis;
- Contribuir para o desenvolvimento dos princípios da promoção de saúde nas escolas.

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Ilustração: Fotografia recolhida em Escola EB1 de Salvaterra de Magos

2008-09-30

O Sr. Domingos


O Sr. Domingos tem 64 anos de idade e foi desde (20 de) Novembro de 2006 o motorista do Centro de Saúde onde trabalho. Foi, porque a partir de amanhã (08/10/01) estará na condição de aposentado. Depois de mais de três dezenas de anos na função pública (começou em 1976, no GAT, Gabinete de Apoio Técnico de Salvaterra de Magos), disporá de mais tempo para o convívio familiar e também para o amanho da terra e o cultivo da horta lá pelos Foros da Charneca (no concelho de Benavente) de onde vinha diariamente para Salvaterra.

Deu-me a notícia enquanto almoçávamos em Santarém, depois de eu ter procedido à entrega no Laboratório de Saúde Pública das amostras que colhera durante a manhã no âmbito dos programas de Vigilância Sanitária das águas para consumo humano e de recreio (leia-se Piscinas). O Sr. Domingos optara por Bacalhau (“Bacalhau à Moleiro”) e eu, menos piscívoro, por “Carne à Portuguesa”. Numa refeição que acompanhámos com vinho tinto, da casa – ainda servido em jarro. Num restaurante a que nos habituámos, pela relação qualidade-preço (no total, menos de € 18,00), e ao qual eu só não atribuo uma nota positiva devido à Muzak e ao ruído ambiente. Quando lhe observei que para a semana voltaríamos à cidade - que durante o próximo fim-de-semana evoca a figura e a obra de Bernardo Santareno –, o Sr. Domingos respondeu-me qualquer coisa como: - “Eu não. Hoje é o meu último dia de trabalho no Centro de Saúde”.

Em jornadas anteriores, a aposentação já fora objecto das nossas conversas. E agora a aposentação aconteceu. Em circunstâncias, curiosas, que marcam o fim de um ciclo. Em Novembro de 2006, a viatura do Centro de Saúde estava imobilizada devido a uma avaria mecânica. E hoje, no regresso ao Centro de Saúde, evocávamos esse incidente quando começámos a ouvir um ruído estranho e, logo a seguir, reparámos que no mostrador da temperatura o ponteiro apontava o nível 100… Precisamente a mesma avaria…

Enquanto esperávamos por um táxi, para regressarmos a Salvaterra de Magos, questionei-o sobre o momento da partida e disse-me que o tempo que trabalhou no Centro de Saúde “foi bom no contacto com as pessoas, todas me trataram bem. Foi maravilhoso!”.

O Sr. Manuel Domingos António afasta-se do Centro de Saúde deixando as chaves da viatura na oficina onde será reparada.

Sem mais.

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira (2008, Setembro)

2008-09-16

O estado amargo de uma Praia Doce



Na margem esquerda do Rio Tejo, a cerca de um quilómetro de distância da estrada-do-dique que estabelece a ligação entre Salvaterra de Magos e a aldeia de Escaroupim, a Praia Doce foi durante dezenas de anos um sítio procurado pelas pessoas da região para se divertirem nos períodos de lazer. Dispunham da sombra das árvores, para conversas amenas e prolongados repastos (piqueniques), e das águas do braço do rio para se refrescarem. Então, o Tejo estaria mais contaminado e poluído do que actualmente; todavia, as pessoas não dispunham da informação a que hoje têm acesso e definitivamente (na generalidade) ignoravam os riscos a que se expunham.

Durante anos, mais de 20 (vinte), no âmbito de sucessivos programas de “Vigilância Sanitária das Zonas Balneares”, eu colhi amostras para a monitorização da água no Rio Tejo, elaborei relatórios sobre as condições hígio-sanitarias da praia, identifiquei e avaliei condições de risco – desde a ocorrência de marés, não sinalizadas, a falta de controlo de qualidade da água de abastecimento (transportada por auto-cisternas dos Bombeiros Municipais) e as obsoletas e sempre degradadas (e sujas, sem limpeza regular) Instalações Sanitárias (IS), até à falta de vigilância para prevenir situações de risco e acudir em casos de emergência. Propondo, sempre, a adopção de medidas – reconheço que umas mais complexas do que outras – para a conversão da Praia Doce num sítio seguro e saudável, sem perda (se não mesmo para a valorização) das características naturais do local.

Há talvez uma dezena de anos, a Câmara Municipal, com o recurso a um financiamento da UE, União Europeia, remodelou a Praia Doce: criou infra-estruturas de saneamento básico, construiu pavilhões de madeira sobre estacas para IS, Arrecadações e um Bar. Entre outros erros, o projecto (que não foi submetido a apreciação pelo Serviço de Saúde Pública) incorreu num muito grave: assegurar o abastecimento de água a partir de um poço (de um poço, repito, não de um furo), numa zona inundável ao ritmo das marés…

Há menos tempo, a Câmara Municipal – agora presidida por Ana Cristina Ribeiro - voltou a investir milhares de euros na reabilitação do espaço. Encerrou o poço, construiu um reservatório aéreo para o abastecimento de água, criou um espaço para o estacionamento de automóveis, acabou com o campismo selvagem (o Parque de Campismo do Escaroupim, da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, situa-se a menos de 5 quilómetros de distância) e remodelou as pavilhões. Um investimento inútil.

Correctamente: um investimento inutilizado pelo vandalismo de alguns (admitimos que poucos) utentes. Que provavelmente, impunemente, acabaram com a Praia.

Doce, na memória da população salvaterrense.

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Ilustração: Fotografias por Duarte d'Oliveira (2008, Setembro)

2008-08-11

“Um Olhar sobre o Concelho de Salvaterra de Magos”


Ao mexer em papéis velhos, para mim uma tarefa cada vez mais rotineira, encontrei uma publicação que não me lembro de ter manuseado: - “Um Olhar sobre o Concelho de Salvaterra de Magos”. Trata-se de uma edição da Câmara Municipal, de Março de 2001, que, como o título sugere, está profusamente ilustrado com fotografias que permitirão – escreve no "Prefácio" Ana Cristina Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos – “compreender as suas gentes, o seu passado e a sua vivência”.

Cada um dos capítulos daquela obra corresponde a uma das seis freguesias do concelho e documenta, através de fotografias de autores anónimos, “O Trabalho”, “A Terra” e “As Gentes” do concelho.

É um bom documento mas poderia ser melhor: no início de cada capítulo, a informação sobre cada uma das freguesias é mínima e ignora datas marcantes na evolução administrativa do concelho; e não identifica os responsáveis pela recolha e a compilação e edição das fotografias. De qualquer modo, “Um Olhar sobre o Concelho de Salvaterra de Magos” é uma publicação que, sem pretender “ser um manual de história”, proporciona aos leitores “uma viagem pelo tempo”.

Na fotografia que seleccionámos, vemos um cingeleiro (*) a descer a Avenida (hoje, Avenida Roberto Ferreira da Fonseca) onde actualmente - do lado direito, em frente dos únicos edifícios visíveis - se situa o Centro de Saúde. Passaram-se 65 anos…

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(*) NC: - “Cingeleiro”: - “1. Pessoa que possui, aluga ou guia uma junta de bois, um cingel. 2. Pessoa que possui uma junta de bois e um carro rural com o qual faz carretos.” – in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, da Academia das Ciências de Lisboa, Editorial Verbo, Lisboa, 2001.

2007-09-05

Um “Bloom” na Albufeira de Magos


Começou a formar-se no Domingo (07/09/01), o “Bloom” de cianobactérias que cobre a água da Albufeira de Magos e que hoje, durante a manhã, tivemos oportunidade de analisar.

A fotografia que seleccionámos ilustra o acontecimento. Sem comentários!

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira

2007-08-02

"Morangos" com quê?


Desde que para a população juvenil se iniciaram as “Férias de Verão”, a TVI transmite, diariamente, antes do noticiário das 20.00 horas, um episódio da telenovela “Morangos com açúcar”. Um produto televisivo que não vejo, como medida preventiva em relação à minha higiene mental. Todavia, nas últimas duas ou três semanas, acompanhei a exibição de uns quantos episódios. Por curiosidade que poderei classificar de paraprofissional.

Algumas das cenas exteriores daquela telenovela foram filmadas na Albufeira/Barragem de Magos. Um local que seria aprazível, se não tivesse sido interditado como zona balnear: devido à presença de cianobactérias, a água é imprópria para banhos.

No entanto, quem assistir à exibição da telenovela poderá ver um ou outro actor a mergulhar na água, designadamente no local que a fotografia mostra. Será que ninguém da produção leu o Aviso?
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NC: - Obviamente, a Albufeira de Magos não consta da listagem da Portaria Nº. 882/2007, de 9 de Agosto, que “Considera praias marítimas as designadas como zonas balneares costeiras e praias fluviais e lacustres as designadas como zonas balneares interiores”.
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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira.

2007-06-04

As Festa da vila e o acesso ao Centro de Saúde


Em Salvaterra de Magos, estão a decorrer as Festas do Foral, dos Toiros e do Fandango. Começaram no dia 1 e prolongar-se-ão até 10 de Junho. Durante esse período, para além do ruído produzido pelos altifalantes espalhados pela vila, que ao longo do dia poluem o ambiente com música de qualidade bastante duvidosa (pouco mais que “pimba”), a avenida principal fica transformada numa manga para a largada de toiros.

Como vemos na fotografia, nessa avenida, para lá das tábuas, situa-se o Centro de Saúde…

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Ilustração: Fotografia por Duarte d'Oliveira.

2007-05-24

Albufeira de Magos - Hoje



Hoje: Sem comentários.

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira.

2007-01-18

Perspectivas…


Ao consultarmos o site da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos – a que os leitores do JSA poderão aceder clicando sobre o endereço postal do coordenador, na coluna ao lado – soubemos que a Junta de Freguesia de Marinhais editou um folheto desdobrável para informar a população sobre um novo serviço que se propôs prestar: a recolha de lixos especiais.

O português usado na redacção talvez não seja o melhor. Mas, neste caso concreto, é um pormenor secundário.

O folheto está ilustrado com duas fotografias.

Numa, de acordo com a legenda, figuram “Funcionários da Junta de Freguesia de Marinhais a recolher lixo nos Ecopontos”. É uma fotografia susceptível de ter uma função pedagógica: a recolha é manual, os trabalhadores não usam EPI (Equipamentos de Protecção Individual) e a viatura (um tractor com reboque) talvez precise de restauro.

Na outra, provavelmente para que se estabeleça uma relação entre a higiene urbana e a saúde, a legenda informa-nos sobre a utilização do edifício que vemos: - “Posto de Saúde de Marinhais e Farmácia União”. O edifício tem quatro pisos. Mas os leitores do JSA (que não conhecem aquela vila ribatejana) não se iludam: o Posto de Saúde e a Farmácia só ocupam o 1º piso, o rés-do-chão…