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2008-11-29

Um episódio “tocante”


À sexta-feira, pelas 20.00 horas, sempre que estou em casa, acompanho o noticiário da TVI apresentado pela Manuela Moura Guedes. Um noticiário que uns quantos “opinion makers” classificam de populista, subvalorizando a competência da jornalista e o tom marcadamente crítico com que relata e comenta alguns dos casos que são objecto de notícia.

Ontem (08/11/28), no final da habitual conversa com Vasco Pulido Valente – outra figura controversa que muita gente contesta mas que lê e ouve -, a Manuela Moura Guedes leu uma nota jornalística que entretanto recebera. Citando-a de memória, a notícia referia-se a um depoimento da Ministra da Educação. Maria de Lurdes Rodrigues terá dito que recebera uma carta de um aluno de uma escola do 1º ciclo, carta em que a criança, depois de referir que já dispunha de um computador “Magalhães”, afirmava que “quando for crescido quero ser do PS (Partido Socialista) ”. A Ministra da Educação terá comentado a carta dizendo: - “É tocante!”. E a Manuela Moura Guedes, com a ironia mordaz que a caracteriza, pediu ao seu interlocutor um comentário. Vasco Pulido Valente contorceu-se na cadeira e disse (cito-o de memória) qualquer coisa como: - “Manuela… O que queres que eu diga?... É tocante!...

E o noticiário acabou, num ambiente de saudável exaltação do surrealismo político em que vivemos, particularmente no domínio da educação. Eu não me contive, e também comentei: – “De facto, é tocante!”…

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Ilustração: Imagem recolhida em
O Anónimo

2008-11-08

“Deixem-nos ser professores!”


Depois da Marcha da Indignação (08/03/08), hoje, em Lisboa, mais de 100 000 (cem mil) professores, cerca de dois terços dos professores em exercício, voltaram a manifestar-se “Movidos pelo superiores interesses da defesa da Escola Pública, da melhoria das aprendizagens dos seus alunos e da defesa da dignidade da profissão docente”.

No final, aprovaram uma Resolução na qual declaram “Agir para que, em cada uma das suas escolas, todos os professores se comprometam com a decisão de suspender a avaliação de desempenho e recusem concretizar qualquer actividade que conduza à instalação ou desenvolvimento do modelo imposto pelo ME”.

No JSA, solidarizamo-nos com os professores e fazemos eco das suas reivindicações: - “Deixem-nos ser professores!”.
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Ilustração: Fotografia recolhida em FENPROF

2008-09-08

Inovação e desenvolvimento


No início do ano lectivo, repusemos na Navbar (a coluna do lado direito, para os leitores do JSA que ainda não dominam o léxico do Blogger) o espaço de Educação. E já tivemos uma surpresa: a DGIDC, Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, inovou e desenvolveu um novo site. Como anuncia na primeira página, “Novo sítio da DGIDC em fase experimental. Caso não encontre o conteúdo que procura, por favor tente no sítio antigo”.

Teremos tempo para avaliar os conteúdos. Entretanto, nós duvidamos que (pelo menos nesta fase) o novo sítio seja mais funcional que o anterior. Mas temos uma certeza, quanto ao design: é pior!. Acumula manchas de texto que não seduzem e só com muito boa vontade (ou por obrigação) é que serão objecto de atenção. Será que no Ministério da Educação não se sabe o que é a estética?

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Ilustração: Imagem recolhida em DGIDC, Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular

2007-02-12

Rosa, uma jovem no País das Maravilhas


Ontem, Domingo (07/02/11), decidi finalmente ver a tão publicitada reportagem “Rosa Brava” que a SIC retransmitiu após o noticiário das 13.00 horas. Confesso que não gostei.

Formalmente, parece-se mais com um episódio de uma telenovela sul-americana do que com um trabalho jornalístico. Numa reportagem, não se encenam situações. Recolhem-se imagens e depoimentos, noticiam-se acontecimentos.

Sobre a matéria - a vida de uma jovem em Casais de Folgosinho, numa das encostas da Serra da Estrela -, enfatizam-se os sonhos adolescentes da Rosa e responsabilizam-se os progenitores pelo abandono escolar. Desprezam-se os factores políticos, culturais e sócio-económicos que condicionarão as atitudes e os comportamentos daquela família, daquelas pessoas.

As intervenções de outras pessoas que participam na reportagem evidenciam atitudes e comportamentos que não se inserem na paisagem serrana. Intervenções que poderiam ser exploradas objectivamente para valorizarem o trabalho jornalístico:

- Em Folgosinho, a professora da Escola – que terá ficado a conhecer os Casais de Folgosinho através da SIC – acentuou a falta de hábitos de higiene do irmão de Rosa, seu aluno.

- Em Gouveia, a Presidente do Conselho Directo da Escola EB2 esclareceu (de modo politicamente correcto) que só com o consentimento dos pais aceitaria a matrícula da jovem - que concluiu o 4º. ano após oito anos de escolaridade.

- À porta de casa, a Técnica do Serviço Social da Câmara Municipal de Gouveia (Psicóloga, pareceu-me ouvir) e a Médica - Médica de Saúde Pública, Subdelegada de Saúde de Gouveia - advertiram inutilmente a Sra. Maria sobre a sua responsabilidade no abandono da escola por parte da Rosa (e implicitamente dos outros filhos).

Talvez noutro trabalho, menos telenovelesco e mais objectivo, se analisem as múltiplas questões que a Reportagem SIC omite. Porque assim é pouco, muito pouco. Como a Rosa há muitos jovens pelo país cujo abandono escolar (*) e condições de vida são questionáveis. E que precisam de respostas, efectivas.
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(*)De 1995 a 2005, a taxa de insucesso no final do secundário passou de 29,6 por cento para 50,8” – Santana Castilho, “Prova Escrita”, Público, edição de 07/12/11.
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Ilustração: Fotografia recolhida em http://aindahapastores.blogspot.com/ .