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2010-05-19

Ruído: um caso de indiferença


Sabemos que o ruído é prejudicial à saúde. Também sabemos que nos locais de trabalho o serviço de SHST, Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho, deve monitorizar o ruído e estabelecer medidas que reduzam ou eliminem a(s) fonte(s) do ruído e/ou impor o uso de EPI, Equipamentos de Protecção Individual, que protejam os trabalhadores dos riscos a que expõem. Finalmente, também sabemos que os locais de trabalho são (ou deverão ser) objecto de vigilância pelos TSA e periodicamente inspeccionados pela ACT, Autoridade para as Condições de Trabalho.

Numa reportagem publicada na revista Tabu, distribuida pelo semanário “Sol” (edição de 10/05/14), sobre o “Segredo da Cerveja”, a jornalista Sara Ribeiro escreve que na fábrica que visitou “os milhões de garrafas a circular nas várias passadeiras metálicas fazem um barulho ensurdecedor, mas os cerca de 600 trabalhadores da fábrica já se habituaram”. E acrescenta, reproduzindo o que “diz a responsável” daquela unidade industrial: - “Há quem use protectores auditivos, mas para a maior parte dos nossos colaboradores, como já trabalham cá há tantos anos, acaba por não fazer diferença”.

Apesar de não sabermos quais são de facto os níveis de ruído que se registam naquela área de linhas de enchimento, nós não entendemos como é que os anos de trabalho podem ser usados como critério para a adopção de medidas de protecção dos trabalhadores…

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Ilustração: Fotografia recolhida em ABC.News

2009-02-16

O fim da Musak?


No ano passado, em pelo menos dois ou três posts, chamámos a atenção dos leitores do JSA para a música ambiente que acompanha – agride - quem frequenta hipermercados e centros comerciais, cafés e restaurantes, quem usa elevadores, quem telefona…

Hoje (09/02/16), pela Ana Gerschenfeld, jornalista do Público que no suplemento P2 escreve “No Futuro”, soubemos que “A Muzak, a empresa que universalizou a música de elevador, ou musak, fazendo chegar os mais pirosos arranjos musicais aos ouvidos indefesos de milhões de pessoas, declarou-se falida”.

É provável que outra empresa substitua a Muzak. Entretanto, seria saudável que (em Portugal) se legislasse sobre esta matéria para que nos seja devolvido o silêncio a que temos direito.

2008-10-05

Do ruído ao direito ao silêncio


Parafraseando a Alexandra Lucas Coelho, uma jovem jornalista fascinada pelo oriente, “eu sou do tempo em que os números de telefone tinham quatro algarismos” e aos autocarros nós chamávamos camionetas. A paragem era junto da fonte, no centro da aldeia, e na margem da ribeira que depois foi tapada (hoje provavelmente dir-se-ia “encanada”) para alargar a rua. Então, por lá, não havia táxis mas “carros de praça” e a praça mais próxima ficava em Gouveia (lembro-me do Sr. Lomba), mesmo ao lado da Igreja de S. Pedro, distante cerca de cinco quilómetros, por uma estrada de piso térreo, de Moimenta da Serra – talvez sem propósito: o número de telefone de casa dos meus pais era o 1605 -, onde cresci entre os oito e os doze anos de idade.

Num tempo em que na capela foi instalado um moderno relógio que não substituía os sinos mas marcava a passagem do tempo de quinze-em-quinze minutos com badaladas que se ouviam mesmo nas casas distantes. Um ruído que não agradou a todos, mesmo aos cristãos que não faltavam à missa dominical e que aparentemente cumpriam todos os preceitos da santa madre igreja. Todavia, prevaleceu a vontade do padre - o Padre João (Oliveira, mas não pertencia à minha família).

Quase 50 anos depois, num país que continua geograficamente cristão – na acepção de Bertrand Russell -, é raro ouvirmos o tocar dos sinos e o som dos relógios na torre das igrejas obedece à legislação do ruído para garantir a tranquilidade e o sossego a que as populações têm direito.

Populações e pessoas que são literalmente agredidas pela Muzak, o ruído que sob múltiplas formas nos atordoa nos mais diversos estabelecimentos. E agora também nos táxis, como escreve “A monte” a Alexandra Lucas Coelho na última das suas “Viagens com Bolso” (Ípsilon, Público, edição de 08/010/03). Para quem opta (ou não tem circunstancialmente outra alternativa) por este meio de transporte, não só tem de suportar a “rádio da central, móvel-chama-móvel-chama” e o som da telefonia sintonizada na estação do agrado do motorista mas também, desde o início do mês, “uma espécie de canal-táxi de televendas, flamejante”.

Para se proteger desta agressão, no regresso de Kandahar e depois de andar pelas margens do Rio Sabor, a Alexandra Lucas Coelho escreve que “já estou a tirar a carta”. Um bom pretexto para tomarmos a iniciativa de nos recusarmos a frequentar os locais onde não se respeita o direito dos cidadãos ao silêncio. Enquanto, num país em que tudo se regulamenta – até os bombeiros já calaram as sirenes -, não se disciplinar a Muzak.

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Ilustração: Imagem recolhida em APA, Agência Portuguesa do Ambiente

2008-09-21

“Muzak”… Música ambiente ou poluição sonora?


Desde há semanas, para não dizer meses, que adio a publicação de um post sobre o ruído que nos é imposto sob a forma de música ambiente - nos hipermercados e nos hotéis, nos centros comerciais e nos restaurantes, nos…

Ainda na quinta-feira (08/09/18), pela tarde, no meu espaço de trabalho no Centro de Saúde, a música ambiente foi um dos assuntos que eu analisei com um utente com formação superior na área da Higiene e Segurança no Trabalho. Falei-lhe das dificuldades que eu – enquanto TSA – defrontava para intentar se não eliminar pelo menos reduzir o volume do ruído em alguns estabelecimentos comerciais do concelho. Concretamente em hipermercados, porque, nos restaurantes, pelo menos enquanto eu almoço ou janto, o som da televisão ou o som ambiente é reduzido para níveis aceitáveis. E deu-me uma dica sobre uma estratégia que eu irei adoptar já ao longo da próxima semana e que, se resultar, eu divulgarei aqui no JSA.

De facto, a música ambiente é uma agressão, independentemente do género seleccionado e da qualidade da gravação. Com consequências eventualmente graves, sobretudo para a saúde dos trabalhadores que nesses locais suportam diariamente o ruído durante pelo menos oito horas.

Há poucas semanas, Fernanda Câncio (jornalista) na revista domingueira do “Diário de Notícias”, dedicou uma das suas crónicas (também publicada em 5dias.net) a esta epidemia. Ontem, foi António Barreto (sociólogo) que sob a hipotética copa florida de um Jacarandá expressou a sua opinião sobre a mesma “praga urbana”. Hoje, eu decidi que devia trazer este assunto para o JSA porque é uma questão que me preocupa, enquanto TSA, Técnico de Saúde Ambiental, e é afinal uma matéria de Saúde Pública que não pode – não deve continuar a ser negligenciada.

Vamos ver se conseguiremos controlar a “Muzak”, antes que a “Muzak” nos ensurdeça e acabe connosco.

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Ilustração: Imagem recolhida em Amigos do Ambiente: ‘D