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2008-11-03

“Mafaldisses”, para reduzir as diferenças



Mafaldisses” é um livro de crónicas. Quando foi editado, há já alguns meses, a autora foi entrevistada pelos jornais e convidada para participar em vários programas de televisão. Depois, o livro foi retirado dos escaparates das livrarias e a autora voltou à rotina do quotidiano.

Um quotidiano no qual se defronta com multiplas barreiras, umas arquitectónicas e outras de natureza cultural. Um quotidiano que é o pretexto para as suas “Crónicas sobre rodas”.

Mafalda Ribeiro, a autora, é uma mulher jovem, tem 25 anos, frequentou jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social e exerce a profissão de Técnica de Comunicação. E, como se observa na badana de “Mafaldisses – Crónicas sobre rodas” (Papiro Editora, 2008, 3ª. Edição), “convive com a Osteogénese Imperfeita e desloca-se em cadeira de rodas”.

A própria Mafalda Ribeiro, na crónica da Semana 17 (o livro está organizado de semana a semana), sob o título de “Cuidado, Frágil”, diz de si, lembrando a doença, que “A minha raridade provoca principalmente fragilidade óssea, o que me obriga a ter cuidado com o meu corpo para não partir constantemente, como se de um cristal frágil se tratasse”.

Fragilidade que não a impede de reivindicar viver como todos os outros cidadãos: - “Ao contrário do que muitos podiam pensar” – afirma na “Semana 3 – Comigo a Noite é uma Criança” – “a minha condição física nunca fez de mim uma menina tímida e recatada. Não sou caseira, assumo”. Mas admite que “No entanto, custa-me sair e não ver cadeiras de rodas nas casas nocturnas”.

Ao longo das 52 Semanas que completam o livro, um ano de crónicas, Mafalda Ribeiro assinala as barreiras culturais – sobretudo os preconceitos, estigmatizantes – e aponta as barreiras arquitectónicas que dificultam se não impedem de todo a autonomia das pessoas com a mobilidade reduzida, temporária ou permanentemente.

A eliminação das barreiras culturais é um problema complexo, porque pressupõe uma cultura integradora, promotora de atitudes diferentes, sem preconceitos em relação às diferenças, que exige a mobilização de todos os cidadãos individual e colectivamente.

Mas a eliminação das barreiras arquitéctónicas também nos compete a nós, profissionais de saúde ambiental: quando emitimos Pareceres Sanitários sobre os projectos que apreciamos, quando participamos em vistorias com outras entidades, e, sobretudo, quando detectamos situações que prejudicam a mobilidade e nos envolvemos na procura de soluções.

Por todas estas razões, “Mafaldisses – Crónicas sobre rodas” é um livro que eu (*) mantenho em cima da minha secretária.

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(*) Tanto quanto sei, o primeiro (e, até agora, o único) TSA que frequentou (há mais de uma dezena de anos) um curso na APD, Associação Portuguesa de Deficientes sobre “Barreiras Arquitectónicas”.

2008-07-12

Praias acessíveis?


Noticia o Jornal do Fundão (edição de 08/07/10) que “Pelo segundo ano consecutivo, Valhelhas recebeu a bandeira de Praia Acessível”. E esclareceu, logo a seguir, que “isso acontece porque manteve as condições ideais para receber no seu espaço os cidadãos com mobilidade reduzida. Assim, uma pessoa que se desloque em cadeira de rodas pode circular à vontade no parque local e chegar mesmo à água do Zêzere”.

A notícia é passível de muitas leituras. Uma, provavelmente maioritária, reflectirá a satisfação do Presidente da Junta de Freguesia que afirmou ao jornalista (Filipe Sanches): - “Há muito que as pessoas com mobilidade reduzida mereciam estar no nosso parque e na nossa praia. Nos dois últimos anos conseguimos fazê-lo e isso deixa-nos satisfeito”. Outra, entre outras, a minha: - É já tempo de acabarmos com este tipo de galardões, cuja atribuição é denunciadora de uma sociedade intrinsecamente discriminatória, numa atitude política (concedo, sociopolítica) que diferencia os cidadãos: uns são cidadãos com deficiência…

Se constitucionalmente “todos os cidadãos têm a mesma dignidade social”, eu pergunto por que razão é que se persiste na atribuição (pelo Ministério do Ambiente) de um galardão que não premeia a qualidade mas a diferença que perpetua a discriminação estigmatizante?

Se as praias (costeiras ou interiores) são para todos, todas as praias devem ser acessíveis.

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Ilustração: imagem recolhida em Instituto da Água .

2007-10-31

Tropeções


Idália Moniz, na qualidade de Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, esteve em Tomar para inaugurar o CAO, Centro de Actividades Ocupacionais – uma valência do CIRE, Centro de Integração e Reabilitação de Tomar.

Como lemos no semanário “O Mirante” (edição de 07/10/25), ao entrar no novo edifício – “construído de raiz, para uma instituição que acolhe pessoas com deficiência” – tropeçou num degrau que “não terá mais que cinco centímetros” de altura. Um incidente que foi um bom pretexto para Idália Moniz observar a Luís Bonet, Presidente do CIRE, que “o senhor vai ter que fazer mais “obras a mais” para retirar aquele degrau. Às vezes custa mais refazer do que usar uma borracha no projecto inicial”.

Muito provavelmente, o projecto de arquitectura daquele edifício não foi submetido a apreciação pelo SSP, Serviço de Saúde Pública, do Centro de Saúde de Tomar. E quase de certeza a Licença de Utilização terá sido concedida sem que os TSA e/ou MSP do SSP hajam sido notificados para participarem na respectiva vistoria. Porque a legislação não prevê a intervenção da Autoridade de Saúde.

Como sabemos, independentemente do disposto no Decreto-Lei Nº 123/97, de 22 de Maio, que “Torna obrigatória a adopção de um conjunto de normas técnicas básicas de eliminação de barreiras arquitectónicas em edifícios públicos, equipamentos colectivos e via pública para melhoria da acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada”, o Número 7, do Artigo Nº 46º do RGEU, Regulamento Geral das Edificações Urbanas, estabelece que “Os degraus das escadas das edificações para habitação colectiva terão a largura (cobertor) mínima de 0,25 m e a altura (espelho) máxima de 0,193 m (…).

Talvez se deva a um reflexo pavloviano. Mas se altura dos degraus for diferente, maior ou menor, o risco de incidente ou de acidente é um facto. Um facto em que todos nós tropeçamos.

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Ilustração: Fotografia recolhida em MUVI, Museu Virtual

2005-09-30

Edifícios adaptados para pessoas com a mobilidade reduzida



Na página Vivienda de Consumer.es Eroski colhemos mais uma infografia que entendemos ser de interesse para todos os profissionais de saúde ambiental e de saúde pública interessados pela problemática da mobilidade.

Mesmo em muitos estabelecimentos de saúde, as pessoas com a mobilidade reduzida são de facto diferenciadas, isto é, defrontam-se com barreiras arquitectónicas que não lhes permitem autonomamente o acesso a todos os serviços. Ausência de rampas, de elevadores ou de plataformas elevatórias; portas subdimensionadas, instalações sanitárias não adaptadas…

Sobretudo aos TSA que lêem o JSA, propomos que nos escrevam (bastará clicar sobre o nome do coordenador do JSA para acederem ao correio electrónico) apontando as deficiências, as barreiras que prejudicam a mobilidade nos Centros de Saúde onde trabalham. Depois da Semana da Mobilidade - que passou despercebida - este será (parece-nos) um bom meio para contribuirmos para a resolução deste problema que afecta temporária ou permanentemente tantos utentes dos Centros de Saúde.