2007-12-12

Silêncio. Silêncio que se faz Natal!


Contrariamente ao que sucedeu nos anos mais recentes, nas ruas da povoação que atravessávamos não havia iluminação natalícia. Nem luzes multicolores nem música.

Observei que, embora de modo tortuoso – por dificuldades financeiras, sobre as quais o governo bem devia reflectir para melhor decidir –, se restituía ao Natal a essência cristã.

O meu interlocutor interrompeu-me para me dizer com brusquidão e indisfarçável dureza: - “Para mim, o Natal é uma dia igual a qualquer outro!”. – E acrescentou: - “Enquanto fui criança, o Pai Natal só distribuía prendas aos ricos!... Eu, se tive brinquedos, precisei de os fazer. Sempre!

Pressenti que quaisquer que fossem as palavras que eu dissesse só agravariam a mágoa indelével que lhe manchava a alma.

Calei-me.

E enquanto percorríamos a povoação, resignada à sucessão dos dias pobres, o silêncio foi ensurdecedor.
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Ilustração: Imagem recolhida em GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental.

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