2005-08-29

A UTOPIA


Por Duarte d'Oliveira, TSA

Neste fim-de-semana, no sábado, ao fim da tarde, decidi arrumar os livros de uma estante. O pretexto foi a descoberta de uma teia de aranha entre a parede caiada de branco e a prateleira onde arrumo a colecção completa das obras de Dostoievski. Meramente por curiosidade, reparei que a teia envolvia o sétimo volume da colecção, o volume que integra as novelas “O Eterno Marido” e o “Adolescente”.

Depois de juntar todos os livros em cima da secretária, aspirei a parede e as prateleiras e, com o auxílio de um pano que “atrai e retém o pó” (como consta da embalagem, num texto traduzido em quatro línguas), comecei a limpar e a arrumar os livros na estante.

Em certo momento, o livro que tinha nas mãos, de capa verde e com as páginas amarelecidas, despertou-me a atenção. Como sucede frequentemente, quando cedo à tarefa doméstica de limpar o escritório, poisei o pano e sentei-me no chão a folhear o livro.

Antes, porém, acendi um cigarro e bebi um trago de whisky, depois de baloiçar levemente o cálice onde flutuavam duas pedras de gelo.

Tratava-se de “A Utopia ou o Tratado da melhor forma de governo”, de Tomás Moro, traduzido por Berta Mendes, com Prefácio e Notas de Manuel Mendes, editado pela Cosmos, em 1947. Um número duplo, da Biblioteca Cosmos, dirigida pelo Prof. Bento de Jesus Caraça.

Fiz uma pausa para apagar no cinzeiro a ponta do cigarro. Pela porta aberta, vinda da sala, chegava a voz aveludada de Jane Birkin: - “Chiamami Adesso” (de “Rendez-vous").

Acendi outro cigarro.

Há uns anos, numa crónica que publicava semanalmente no "Diário de Notícias", a Clara Pinto Correia escreveu, sem esconder a emoção, que ficara maravilhada ao saber - folheando o livro que requisitara na Biblioteca da Universidade (nos EUA) onde leccionava - que a Ilha da Utopia fora descoberta por um português.

Foi também numa Biblioteca, na Covilhã, ainda na adolescência, que eu li pela primeira vez os livros do discurso de Rafael Hitlodeu, “um estrangeiro, homem já no declinar da vida”. Um navegador português que acompanhou Américo Vespúcio mas não regressou à Europa. A bordo da Castela-Nova, ficou “na margem de um rio, segundo os seus desejos”.


Acerca das Artes e Ofícios

Decorridos mais de 40 anos, é com a mesma emoção que folheio as páginas amarelecidas pelo tempo. Detenho-me no discurso “Acerca das Artes e Ofícios”, que, tal como os outros, decorrem no mesmo banco de jardim da casa de Tomás Moro que recomendara “aos criados que afastassem qualquer importuno”, e leio:

- “(…) na Ilha da Utopia, todos se preocupam, na realidade, com assuntos verdadeiramente úteis. O trabalho material é de curta duração, e, no entanto, esse trabalho produz o abundante e o supérfluo. Quando há excesso de produção, os trabalhos diários são suspensos, e a população fica livre. Á falta de trabalhos ordinários e extraordinários, um decreto autoriza a diminuição da duração do trabalho, porque o governo não procura fatigar os cidadãos com inúteis labores. O fim das instituições sociais na utopia é, antes de mais nada, atender às necessidades do consumo público e individual, depois de deixar a cada um tanto tempo quanto possível para se libertar da servidão do corpo, cultivar livremente o espírito, desenvolver as suas faculdades pelo estudo das ciências e das letras. É neste completo desenvolvimento que eles (os utopianos) baseiam a verdadeira felicidade”.
Conselhos dos reis

Fiz uma segunda pausa para colocar mais duas pedras de gelo no copo e verter mais um pouco de whisky – produzido nas terras altas da Escócia. Quando voltei a pegar no livro, a casa estava iluminada pela voz humanamente divina de Emma Shapplin a cantar “Ira de Dio” (de “The Concert in Caesarea”). E li, a réplica de Rafael Hitlodeu a Tomás Moro sobre a eventualidade de “entrar para o conselho de qualquer grande príncipe” na Inglaterra de Henrique VIII:

- “ No que diz respeito aos Conselhos dos reis, eis pouco mais ou menos como e de que espécie de homens são compostos:

- Uns calam-se por pura inépcia, pois teriam eles próprios grande necessidade de serem aconselhados. Outros, são pessoas capazes e saberiam fazê-lo, mas partilham sempre da opinião do favorito e aplaudem com entusiasmo as mais charras imbecilidades que lhes apraz dizer; estes vis parasitas não têm senão um único fito: ganhar, com uma adulação criminosa e baixa, a protecção do primeiro favorito. Os outros são escravos do seu amor-próprio e não escutam senão a própria opinião, o que não é para admirar, visto que a natureza ensina que cada um acarinha com amor os produtos da sua própria invenção. É deste modo que o corvo sorri á ninhada e o macaco aos filhos”.

Poisei o livro, levantei-me do chão lajeado e, pela porta da cozinha, fui até lá fora. Anoitecia. Ao longe, ouvi o ladrar de um cão. Perto, uma aragem leve sacudia as folhas das árvores.


De retorno a casa, seleccionei alguma música – Mozart (“Pequena Música Nocturna”), Tchaikovski (“Patética”) e Albinoni (“Adágio”) – e decidi que interromperia a leitura do último livro de Gabriel García Márquez, que comprara na terça-feira, para reler “A Utopia o Tratado da melhor forma de governo”. De São Thomas More, “Um Homem para a Eternidade”.

.....................

Ilustração: de Jacque Fresco, recolhida em http://www.worldtrans.org/venus/venusintro.html

2005-08-25

O Diário das “Coisas” de Saúde Ambiental


Diariamente, nós consultamos. As “Coisas” de Saúde Ambiental. Como já aqui escrevemos, trata-se de um site cuja concepção e construção é excelente. Acolhe documentação que interessa aos profissionais de saúde ambiental e de saúde pública. E tem um visual atractivo.

No início da semana, verificámos que a Susana Daniel, TSA, autora e gestora do site, substituiu a rubrica “Novidades” por uma outra mais dinâmica: “Diário”. Uma rubrica, um espaço com informações (notícias, artigos, etc.,.) actuais.

Aos leitores do JSA sugerimos que na coluna lateral, no espaço de Saúde Ambiental, cliquem em “Coisas” de Saúde Ambiental. Consultem as diferentes páginas, leiam… e colaborem activamente.

Enviando trabalhos para publicação. Ou emitindo um comentário.

……………

Ilustração: "La fabbrica ecologica", de Mario Ortolani, recolhida em
http://www.montitrasimeno.umbria.it/cmtrasimeno/it/dxambiente.html

2005-08-22

O défice da aposentação


Na área social, o governo presidido por José Sócrates está a cometer erros graves. A gravidade dos erros não tardará a repercutir-se seriamente nos planos político, económico e socio-económico. Sobretudo no plano socio-económico.

Para reduzir o défice, aumentou os impostos. Particularmente o IVA (Imposto de Valor Acrescentado). Prejudicando a concorrência das empresas portuguesas nos mercados internacionais. Afectando o poder de compra dos cidadãos.

Ao concorrer para a diminuição dos níveis de produção e de volume de negócios, condena as empresas ao encerramento. E à fuga de capitais para o exterior. Cada empresa que encerra contribui para o aumento da taxa de desemprego. Para o aumento dos custos sociais, da despesa pública.

Para reduzir o défice, para diminuir os custos sociais aliados ao pagamento de subsídios de aposentação, prolonga o tempo de trabalho e a carreira contributiva, a idade para a reforma dos trabalhadores.

Aparentemente, esquece que a aposentação, a reforma, não é um prémio nem um castigo para os trabalhadores. É um direito constitucional.

Após um período mais ou menos longo de trabalho, depois de uma certa idade, - parâmetros cuja lógica não deverá obedecer a critérios meramente economicistas -, os trabalhadores deveriam/deverão ter o direito de optar por continuar a exercer a actividade profissional ou a afastarem-se para concretizarem outros projectos pessoais.


Promove a desmotivação, a diminuição dos níveis de produtividade e a falta de oportunidades para os jovens se integrarem no mercado de trabalho.

Muito provavelmente, sem pretendermos projectar cenários desastrosos, favorecerá o aumento dos acidentes de trabalho e das baixas por doença, será responsável pela instabilidade e por conflitos nas áreas familiar e social.

Mas o governo persiste. Detém a maioria parlamentar. Por razões que benignamente classificamos de edipianas, é protegido pela generalidade dos “opinion makers”. E pela Imprensa. Persiste e insistirá, até ao fim. Só não sabemos, ainda, se será até ao fim do governo socialista. Ou do País em que sobrevivemos.

Mas não tardaremos a saber.

2005-08-19

Onda de calor


As ondas de calor têm repercussões negativas tanto humanas como económicas. Afectam sobretudo os idosos, as crianças, as pessoas com doenças crónicas (bronquite crónica, diabetes, cardiopatias) e as que trabalham no exterior. Sendo quem mais se expõe ao risco de desidratação, devem tomar precauções específicas.

Perante uma onda de calor, para se evitarem problemas de saúde devem adoptar-se
medidas de prevenção.

No site consumer.es eroski, que consta da rubrica de Defesa do Consumidor na coluna de Links, recolhemos uma excelente
infografia que facultamos aos leitores do JSA.

2005-08-18

Conversando….



A falta de água

As alterações climatéricas e as temperaturas elevadas que se registam, o período de seca que se prolonga e a escassez de água, são realidades que constituem uma preocupação para todos. Profissionais de saúde pública e população em geral.

Atentos a esses problemas, cuja solução exige a colaboração de todos os governos - particularmente dos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento - e a participação activa de todos os cidadãos, nós temos divulgado alguns textos de natureza sobretudo informativa. Com um objectivo: facultarmos aos leitores do JSA o conhecimento das causas e os meios básicos para se minimizarem os riscos e se promoverem acções de prevenção e de protecção ambiental.

Apesar da orientação da DGS, Direcção Geral da Saúde, para que nestas circunstâncias se intensifique o controlo de qualidade e a vigilância sanitária da água de abastecimento, os TSA e os MSP sabem que os programas não foram alterados e que se insiste na análise expedita do CRL. Mas este é um outro assunto, um assunto que será tratado brevemente.

Ler com o rato

A alguns leitores do JSA que nos escreveram a expor dúvidas e a outros que tenham dificuldade em ler os textos que publicamos, esclarecemos que o “JSA deverá ser lido com o rato”. Porque nos textos inserimos hiperligações, apresentadas por palavras ou frases curtas que adoptam uma cor diferente. Experimentem clicar. E se a dificuldade em aceder ás páginas que seleccionámos se mantiver, não hesitem: contactem-nos.

2005-08-17

Mobilização geral contra as emissões de gás com efeito de estufa


O Número 2 da série ECOLOG do ministério francês da Ecologia e do Desenvolvimento Sustentável, divulgado pelo ECOBLOG (Vd. “Links”), é dedicado ao aquecimento climático.

Em cerca de dez minutos de
vídeo interactivo, Catherine Laborde e Ronald Guintrange explicam através de imagens o efeito de estufa, as suas causas e os compromissos assumidos nos planos nacional e internacional.

Se o leitor do JSA não sabe como intervir, no programa de vídeo interactivo veja a sequência "qu'est-ce que je peux faire?" (O que é que eu posso fazer ?).

Verá que além das grandes opções colectivas nos domínios da energia, da indústria, etc., há gestos quotidianos que repetidos milhões de vezes podem produzir um grande efeito sobre o aumento ou a diminuição do aquecimento do planeta.

Ainda é tempo de agir, mas é URGENTE agir…

2005-08-12

Protocolo para prevenir as doenças de origem hídrica na Europa



De acordo com o comunicado de imprensa EURO/12/05 da OMS – Europa, de 05/08/03, o protocolo sobre água e saúde da Convenção de 1992 sobre Protecção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e Lagos Internacionais entrou em vigor no passado dia 05/08/04 após a ratificação por 16 países da região europeia da OMS entre os quais não se inclui Portugal.

A finalidade do protocolo consiste em melhorar a saúde mediante a prevenção, o controlo e a redução de doenças relacionadas com a água. O protocolo abrange as áreas de abastecimento de água e saneamento e a protecção dos recursos hídricos à escala de bacia.

O Protocolo exige aos países que o ratifiquem:

- Reforçar os seus sistemas de saúde;

- Melhorar a planificação e a gestão dos recursos hídricos;

- Melhorar a qualidade dos sistemas de abastecimento de água e dos serviços de saneamento;

- Prever os futuros riscos para saúde,

- Garantir a segurança das águas de recreio.

Na região europeia da OMS, a aplicação das disposições do Protocolo é coordenada pela Agência Europeia da OMS e pela Comissão Económica para a Europa da ONU.

2005-08-05

Piscinas - Um Manual

Trata-se de uma edição da Consejería de Salud da Junta de Andalucía (Espanha) e pode ser consultada on line. “Recomendaciones higiénico sanitarias en piscinas de uso colectivo”, de Mercedes Suárez Bernal e Carmen Blancas Cabello, é um manual útil para os profissionais de saúde.

Transcrevemos o Sumário:

1. Las piscinas de uso colectivo. 9

2. Riesgos sanitarios derivados del uso de las piscinas. 13

Relativos a la seguridad: accidentes. 15
Relativos a la higiene del agua: infecciones. 18


3. Tratamiento del agua de los vasos. 21

Circulación del agua. 24
Filtración del agua. 25
Desinfección. 26
Medidas complementarias. 30


4. Control de la calidad del agua de los vasos. 31

5. Valoración y solución de los problemas más frecuentes que puede presentar el agua de los vasos. 39

6. Condiciones higiénicas de las instalaciones. 45

7. Normas para los usuarios. 51

2005-08-04

Campanha para o direito à água


Colaboramos com a Green Cross International na Campanha para o direito à água.

O acesso à água não é um privilegio… é um direito!

MAS,

1.2 bilhão de pessoas não tem acesso à água potável.

A sede mata.

2.4 bilhões de pessoas carecem de saneamento básico.

A água contaminada mata.

Para deter a crise global da água, é necessário uma lei internacional sobre o direito à água. Isto obrigará os governos do mundo inteiro a transformar as palavras em acções.

Durante o tempo que o leitor precisou para ler esta informação, 9 pessoas morreram em função de doenças relacionadas a água contaminada.
5 dessas pessoas são crianças .

Assine a petição para que a sua assinatura seja uma das 10 000 000 que são necessárias para convencer os lideres políticos a começarem as negociações oficiais na Convenção Internacional sobre o Direito à Água.

ASSINE
AGORA.

Portal da Água


O Portal da Água (da UNESCO), cujo endereço já incluímos na coluna de Links - no espaço de Saúde Ambiental - pretende facilitar o acesso à informação relacionada com a agua.

Pretende servir como ponto de encontro interactivo para trocar ideias, partilhar informação e pesquisar sítios Web de organizações relacionadas com a água, tanto a nível governamental como não governamental. Para a concretização desses objectivos, o Portal da Água inclui uma serie de secções como links, eventos, módulos de formação e outros recursos em linha.

Sugerimos aos leitores do JSA uma consulta.

Preservar a água – Participe activamente


Pela televisão, durante os noticiários, todos nós ouvimos e vemos o óbvio. A onda de calor prossegue, como se fosse um tsunami térmico, e afecta gravemente a saúde das populações.

Uma das consequências imediatas consiste no prolongamento do estado de seca e na falta de água que, em algumas regiões, já compromete o abastecimento publico.

É preciso evitar as perdas, reduzir os consumos, preservar e proteger a água.

Com a colaboração da página
agua-dulce.org, da Fundación Ecología y Desarrollo, nós decidimos proporcionar aos leitores do JSA dois programas de cálculo, um de perdas e outro de consumo de água.

Propomos que verifiquem como podem reduzir o consumo e prevenir as perdas. E colaborar activamente na preservação da água.

A colaboração de todos é indispensável!

2005-07-22

Requisição de análises de água - SRS de Braga


Depois da bem animada troca de comentários publicados no Fórum de Saúde Ambiental, reconhecemos que o modelo de Requisição de análises de água para consumo humano aprovado pela Sub-Região de Saúde de Braga é efectivamente um documento exemplar. Exemplar na forma e no conteúdo.

Sem pretenderemos ser exaustivos, além das deficiências que são assinaladas no impresso divulgado pelas “Coisas” de Saúde Ambiental, nós apontamos as seguintes incorrecções e fazemos algumas perguntas que nos parecem pertinentes:

1. A observação entre parêntesis

Sob o título de Requisição de análises de água para consumo humano, observa-se entre parêntesis que a requisição é “Aplicável a colheitas efectuadas no âmbito da vertente analítica das acções de vigilância sanitária”.

A observação, cuja erudição não deverá ser menosprezada, parece-nos dispensável. Pretende ser rigorosa quanto à utilização do impresso mas não esclarece que colheitas deverão ser efectuadas porquanto, no “âmbito da vertente analítica das acções de vigilância sanitária”, poderão ser colhidos diferentes tipos de amostras. Por outro lado, gostávamos de conhecer o modelo de Requisição relativo a colheita de amostras no "âmbito da vertente tecnológica (...)".

2. Requisitante

Ao optar-se pelo SSPL em vez do CS, para se identificar a entidade requisitante das análises, a ortografia exige que local se escreva com L maiúsculo.

3. Código sisAGUA

Pelo menos 1/5 do espaço da Requisição é ocupado com a codificação do sistema de abastecimento de água e do ponto de colheita das amostras de água de acordo com o sisAGUA.

Para o registo daquelas informações há soluções mais eficazes. Por exemplo, o modelo de Requisição adoptado pela SRS de Santarém - um modelo que nos foi facultado por um TSA que exerce a actividade num CS daquela Sub-Região de Saúde.

4. Temperatura da água na altura da colheita - I

Nós admitimos que onde se escreve altura se pretendia escrever no momento. Apesar da taxa elevada de iliteracia funcional que se regista no país, nós acreditamos que se trata de um lapso que teria sido evitado se a elaboração da Requisição tivesse sido acompanhada por um profissional de Saúde Ambiental e/ou de Saúde Pública.

5. Temperatura da água na altura da colheita – II

Na mesma linha em que se pede o registo da temperatura em graus centígrados, solicita-se o registo do valor de PH. Como os profissionais de saúde sabem, a abreviatura do potencial de hidrogénio – pondus Hydrogenii – tem a seguinte redacção: pH.

Observamos que não se trata de um erro de ortografia.

6. Água desinfectante

Noutro local, no Fórum de Saúde Ambiental, nós já comentámos a aparente capacidade desinfectante da água do distrito de Braga. Agora, ao consultarmos o impresso, admitimos que se quisesse escrever água desinfectada para que a resposta na coluna do lado direito fosse Sim ou Não.

Na coluna do lado direito pede-se o registo do “Residual de Agente desinfectante (...)”, mas não se especifica se se trata de Residual Livre, Combinado ou Total. Outro lapso, decerto

7. Análises a realizar

Tratando-se de análises (nf), as regras da concordância estabelecem que se escreva Microbiológicas e Físico-Quimicas. Um lapso gramatical...

Por outro lado, se sabemos que análise não é sinónimo de avaliação, nós confessamos a nossa ignorância: não sabemos o que é uma Análise de Avaliação global.

8. Origem

Uma só pergunta: Origem de quê?


9. O Delegado de Saúde

Duas perguntas.

Uma: será que os DS que assinam a requisição ainda não detectaram os erros de ortografia, de sintaxe e técnicos que apontamos?

Outra: Ignoramos a razão porque é que são os DS a assinar as requisições. Se não se trata de um procedimento meramente administrativo – facto que é bastante discutível –, a aposição da assinatura será a ratificação dos elementos registados no documento. Nestas circunstâncias, nós perguntamos: assina, mesmo quando é um TSA a efectuar a colheita da amostra?

Não fomos exaustivos na análise critica do documento. Mas esperamos que as deficiências que apontámos sejam suficientes para que na SRS de Braga se decida rever a Requisição de análises de água para consumo humano. Sem dúvida, uma Requisição Imprópria..

2005-07-21

Fungos e Piscinas

Em plena época estival, parece-nos que Hongos y Piscinas é um texto cuja leitura é susceptível de interessar aos leitores do JSA.

Em linguagem de carácter jornalístico, naquele documento publicado na página de Saúde de CONSUMER.es EROSKI, procede-se à caracterização das condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos fungos, à identificação dos riscos e à definição das medidas de prevenção que deverão ser adoptadas.

È um texto de leitura fácil, com um conjunto de informações úteis para os utentes de piscinas.

2005-07-15

CineEco 2005

Entre 21 e 30 de Outubro realizar-se-á em Seia, na Serra da Estrela, o 11º Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente da Serra da Estrela, CineEco.

O CineEco, considerado dos melhores festivais europeus de cinema de ambiente, é uma iniciativa da Câmara Municipal de Seia e tem como directores Lauro António, critico e realizador de cinema, e Carlos Teófilo.

Para além da secção competitiva – já com cerca de meia centena de filmes inscritos, candidatos aos prémios de Ambiente, Educação Ambiental, Água, Valorização de Resíduos, Vida Natural, Polis e Antropologia Ambiental –, o festival integra diferentes ciclos temáticos, retrospectivas, e, paralelamente, exposições, concertos e palestras.

O programa da edição deste ano ainda não está disponível. Mas, oportunamente, divulgá-lo-emos aqui no JSA.

É um Festival que acompanhamos desde a 1ª. Edição. Porque gostamos de cinema. Mas também porque, enquanto TSA, entendemos que o CineEco é uma fonte de informação e de formação.

“Coisas” de Saúde Ambiental

“Coisas” de Saúde Ambiental foi objecto de remodelação. Como escreve Susana Daniel, TSA, a “página de saúde ambiental tem um novo visual, depois de vários pedidos. Após as mil visitas em cerca de 2 meses já merecia(m)”.

No plano meramente estético, nós preferíamos o visual anterior. Mas gostamos dos slides iniciais, com imagens que não tardarão a ser só memória se não protegermos a terra em que vivemos.

Num comentário que publicámos na sua página, saudámos a Susana Daniel e felicitámo-la pelo facto de ter atingido a meta dos mil visitantes em cerca de dois meses. Mas, como sucede com o JSA, são muitos os visitantes mas poucos, mesmo muito poucos, os visitantes que intervêm, que colaboram activamente.

Será que a generalidade dos leitores, sobretudo os TSA, não tem opinião?

O esforço da Susana Daniel merece ser recompensado.

Aos leitores do JSA renovamos um pedido que anteriormente já aqui apresentámos: enviem trabalhos para publicação no “Coisas” de Saúde Ambiental. A Susana Daniel, TSA, merece.

2005-07-13

Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Na segunda-feira (05/07/11), pelo jornal diário Público foi distribuído o Nº. VII da Revista de Qualidade. O tema principal é susceptível de interessar aos leitores do JSA: - “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”.

Os artigos publicados naquela revista podem ser consultados no jornal qualidade online.

Manual Merck de Saúde para a Família

O anúncio que preenche a contracapa do dossier “Dia do Médico”, distribuído pelo Público (edição de 05/07/11), não é um anúncio para se menosprezar. Informa-nos que a partir de agora é possível, pela Internet, aceder-se gratuitamente à consulta do Manual Merck de Saúde para a Família.

Já tivemos oportunidade de consultar aquela publicação que, como esclarece Robert Berkow, M. D., na Introdução, se baseia “ praticamente na sua totalidade, na obra O Manual Merck de diagnóstico e terapêutica, mais conhecido como O Manual Merck”.


Aos leitores do JSA comunicamos que podem aceder àquele Manual e obter “em linguagem corrente e objectiva” a informação que procuram sobre os mais variados “temas relacionados com a saúde e a doença”.

Mas, como adverte Robert Berkow, M. D., observamos que “Nenhum livro pode, no entanto, substituir a capacidade e o conselho de um médico, pois é ele quem está em contacto directo com o paciente. O Manual Merck. Saúde para a família não pretende substituir o médico nem constituir-se num livro de auto-consulta. Mais ainda, esperamos que a informação médica apresentada ajude o leitor a comunicar com o seu médico mais eficazmente e, dessa forma, a compreender de maneira mais exaustiva os problemas e as suas alternativas possíveis.

2005-07-11

Conversando...

Encontro Nacional de TSA

O texto que publicamos – TSA – uma carreira profissional e socialmente injusta -, de Duarte d’Oliveira, TSA, é a primeira contribuição para a concretização do Encontro proposto por Paulo Martins, TSA .

Aos leitores do Jornal de Saúde Ambiental lembramos que a opinião de cada um é importante. Comentem os textos que publicamos. Designadamente o que “Conversando..." agora anunciamos.

TSA - Uma carreira, profissional e socialmente injusta

Por Duarte d’Oliveira, TSA

Provavelmente, voltarei a tratar deste assunto. Um assunto que exige reflexão para que se tome uma decisão que, sem prejudicar direitos entretanto adquiridos, corresponda ás expectativas dos TSA. Por agora, sem disponibilidade para consultar a documentação que fundamenta(rá) a minha intervenção, eu alinhavo apenas algumas notas. Breves e eventualmente imprecisas.

1. É óbvio que é ilógico, em qualquer sistema que se pretenda justo, que pessoas com formações tão diferenciadas exerçam as mesmas actividades, desempenhem as mesmas funções e aufiram remunerações idênticas.

2. No âmbito do SNS (Serviço Nacional de Saúde), as atribuições e competências dos TSA são as que foram estabelecidas pelo diploma que aprovou o conteúdo funcional dos THST (Técnicos de Higiene e Saúde Ambiental), integrados na carreira de TDT (Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica).

3. Por mais de uma vez, eu já tive a oportunidade de afirmar que a publicação daquele diploma teve sobretudo um objectivo: reclassificar os TSA, em consonância com a reestruturação da carreira dos restantes técnicos que integram a carreira TDT.

4. Prevendo o conflito a que hoje assistimos (e que tenderá a agravar-se), um conflito absolutamente legítimo, há uns anos, no decurso de um seminário que se realizou no LNEC, eu distribui um documento no qual, em síntese, propus:

4.1. A criação da carreira de TSA.
4.2. A manutenção da carreira de TS (Técnico Sanitário) - por não se justificar, sempre discordei da designação de TAS (Técnico Auxiliar Sanitário).
4.3. Que os lugares na carreira de TS fossem extintos à medida que vagassem e preenchidos por TSA.
4.4. Que a acesso à carreira de TSA ficasse condicionado, restrito, aos profissionais de saúde ambiental formados nas ESTES (Escolas Superiores de Tecnologias da Saúde).
4.5. Que por razões de justiça, razões elementares de justiça, as remunerações dos profissionais de saúde que integrassem ambas as carreiras fossem similares.


5. No decurso daquele seminário, observei que não se deviam defraudar as expectativas sócio-profissionais dos alunos das ESTES.

6. Como decerto se lembrarão os TSA (ES e MSP) que participaram naquele seminário, eu fui impedido de ler até ao final o texto da minha intervenção. Sobretudo pelo TAS que integrava a mesa que coordenava o painel. E fui, pateticamente, contestado por um TAS e por uma ES. E, ainda, que a minha intervenção não teve (no auditório) o menor apoio dos participantes.

6.1. Hoje, o TAS que afirmou de modo exaltado que sentia muito orgulho em continuar como TAS é TSA. A ES que contestou a evolução curricular dos TSA trabalha com TSA com diferentes habilitações académicas e trata – no domínio dos saberes - todos do mesmo modo, numa atitude consentânea com o regime consentido.

7. Recorrendo a uma expressão popular, que é do conhecimento comum, desde a realização daquele seminário eu “deixei correr o marfim”. Deliberadamente, afastei-me mas mantive-me atento.

8. O que leio no Fórum de Saúde Ambiental e no Jornal de Saúde Ambiental é, porém, decisivo para que eu regresse.

9. Também regresso porque, a confirmarem-se as notícias que são divulgadas pela comunicação social, relativas às medidas que o governo se propõe adoptar para controlar o défice público e cumprir o pacto de estabilidade, eu estou exposto ao risco de ter de continuar a exercer a actividade por pelo menos mais cerca de uma dezena de anos (pretendo aposentar-me ao longo do ano de 2008).

10. Mas, sobretudo, regresso porque entendo que é social e profissionalmente injusto que jovens com formação académica superior, com licenciaturas, pós-graduações e mestrados não tenham no âmbito do SNS as suas competências de facto legalmente reconhecidas.

Como escrevi no início, provavelmente retomarei este assunto. Que, se me consentirem, será objecto da comunicação que me proponho apresentar no Encontro Nacional de TSA anunciado por Paulo Martins, TSA. Mesmo que se realize em Macedo de Cavaleiros, como sugere Luís Aleixo, TSA.

....................

PS.: Uma proposta para os TSA que venham a constituir a Comissão Organizadora. Divulguem a realização do Encontro em Espanha e convidem os nossos colegas do outro lado da fronteira. Não somos cidadãos europeus?

O Portal de Saúde Pública


É com agrado que registamos a evolução que se observa no Portal de Saúde Pública. Em todas as páginas, mas, sobretudo, na página (recente) de Saúde Ambiental.

Nesta página, nas colunas temáticas já criadas – Água, Alimentos, Ar e Habitação –, é divulgada a legislação aplicável e um conjunto de informações que não interessará exclusivamente a quem não trabalha em Saúde Pública e em Saúde Ambiental. MSPs e TSAs devem consultá-las.

Pontualmente, poderemos discordar das opções dos autores. No entanto, na generalidade, reconhecemos que a documentação disponibilizada é importante. Para a população em geral e também para os profissionais de saúde.

Guião de Vistoria

Conhecemos diferentes guias/guiões para a realização de vistorias aos estabelecimentos de venda de produtos alimentares, designadamente aos estabelecimentos de bebidas e de restauração.

Embora permita uma apreciação/avaliação subjectiva das condições de instalação e funcionamento dos estabelecimentos objecto de vistoria, o Guião de Vistoria apresentado na coluna relativa aos Alimentos (Restauração) é um trabalho meritório.

Que nós divulgamos para que os leitores do JSA eventualmente a utilizem na realização de vistorias. E a melhorem, colaborando activamente com o gestor e os colaboradores do Portal de Saúde Pública.